- O chefe da Agência de Inteligência Estrangeira da Alemanha, Bundesnachrichtendienst (BND), Martin Jaeger, pediu mais autonomia operacional para enfrentar ameaças híbridas vindas da Rússia.
- Jaeger afirmou, na Munich Security Conference, que o BND deve tornar-se mais operacional e deixar de ser apenas observador.
- Ele citou a descoberta de uma grande operação de influência ligada à Rússia antes das eleições federais do ano passado, envolvendo pesquisas falsas, deepfakes e testemunhos fabricados.
- A polícia registrou 321 atos de sabotagem na Alemanha no ano passado, muitos possivelmente ligados à Rússia.
- O chanceler Friedrich Merz anunciou que a Alemanha vai fortalecer os serviços de inteligência como parte de um esforço maior para reconstruir as Forças Armadas e aumentar a resiliência, com o parlamento discutindo um projeto de lei para ampliar as ações das agências.
O chefe dos serviços de inteligência externo da Alemanha pediu mudanças para ampliar a atuação das agências frente a uma gama de ameaças híbridas associadas à Rússia. Em uma palestra na Conferência de Segurança de Munique, Martin Jaeger afirmou que a ameaça está reconhecida e que o contingente precisa partir para ações mais proativas, em vez de apenas observar.
Jaeger destacou que, apesar do histórico de cautela, o BND deve tornar-se mais operacional, para enfrentar ataques de desinformação, deepfakes e campanhas de influência ligadas a interesses russos. O dirigente mencionou ainda que a Alemanha identificou uma operação de influência com vínculos russos relacionada às eleições federais do ano passado e registrou 321 atos de sabotagem no último ano, muitos possivelmente conectados a Moscou.
A pauta de reforço das capacidades de inteligência ocorre em meio a propostas de mudança regulatória no parlamento, que discutia um projeto de lei para ampliar o alcance das ações das agências, sujeitas hoje a regras estritas. O objetivo é permitir respostas mais ativas a ameaças de segurança interna e externa, mantendo o controle democrático.
O chanceler Friedrich Merz participou da conferência, defendendo o fortalecimento dos serviços de inteligência como parte de uma mobilização maior para reestruturar as forças armadas alemãs e aumentar a resiliência frente a um ambiente de maior risco russo. Em seu discurso, Merz ressaltou a proteção da ordem democrática contra ameaças internas e externas.
O tema também ganhou destaque em Berlim, com o debate sobre como equilibrar vigilância e liberdades civis. Especialistas de segurança enfatizam que reformas devem assegurar transparência, controle parlamentar e observância de normas internacionais, sem sacrificar a eficácia operacional do aparato de inteligência. A discussão segue em andamento no parlamento.
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