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Crianças invisíveis em bordéis de Bangladesh recebem certidão de nascimento

Quatrocentos filhos de trabalhadoras sexuais em Daulatdia obtêm certidões de nascimento, abrindo acesso a escola, passaporte e direito de voto

In Daulatdia, a village that is one of the world’s largest legal brothels, having a birth certificate means the sex workers’ children can finally go to school.
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  • Quatrocentos filhos de trabalhadoras sexuais no vilarejo de Daulatdia, Bangladesh, finalmente têm certidão de nascimento.
  • Mais de setecentos filhos não reconhecidos no Daulatdia e em outros prostíbulos foram registrados graças à atuação de organizações e do governo.
  • A mudança ocorreu após a lei de 2018 permitir o registro de nascimento mesmo sem informações sobre os pais.
  • Com a certidão, as crianças podem ir à escola, solicitar passaporte e, no futuro, votar.
  • Autoridades e campanha vão destacar que a ausência de certidão as deixava invisíveis e vulneráveis a abusos e tráfico; a documentação traz proteção e esperança.

A Daulatdia é uma vila de bordéis nações, onde crianças nascidas de mães trabalhadoras sexuais eram invisíveis no registro civil. Pela primeira vez, 400 crianças desse complexo recebem certidão de nascimento. A mudança ocorre após décadas de atuação de organizações de defesa e de campanhas que denunciaram a exigência de informações do pai, muitas vezes desconhecidas.

O avanço ocorreu graças a uma leitura mais ampla da legislação desde 2018, que permite registrar um nascimento mesmo sem informações completas dos pais. Campanhas apoiadas pela Freedom Fund e organizações locais recolheram dados, reuniram as famílias e encaminharam os documentos aos órgãos competentes. A mobilização reduziu barreiras administrativas.

Mais de 700 crianças não reconhecidas já foram registradas em Daulatdia e em outras bordéis, resultado do trabalho de redes civis que detectaram a lacuna legal antes ignorada. A atuação visa garantir direitos básicos, como escola, passaporte e, eventualmente, voto.

Impacto e desdobramentos

Aogenwort Acaku, coordenadora de programa da Freedom Fund no país, comenta que a ausência de certidão tira o indivíduo de qualquer cidadania formal. Com o documento, as crianças passam a ter acesso a serviços públicos e proteção contra exploração e tráfico. A rede de apoio continua monitorando casos remanescentes.

Akhter, que atua há décadas com crianças em situação vulnerável, destaca que a certidão é parte de um conjunto de direitos. Ela lembra que, sem o registro, jovens ficam mais expostos a abusos e dificuldades de provar idade para programas de educação.

Especialistas ressaltam que a mudança não resolve todos os problemas, mas reduz entraves estruturais. Em Daulatdia, mães têm encorajado outras mulheres a regularizar os filhos, consciente de que o documento facilita acesso à educação e a oportunidades futuras.

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