- Um ano após o discurso de JD Vance, Washington e seus aliados europeus tentam traçar um curso mais independente na Munich Security Conference, mantendo ainda a base da aliança.
- O encontro ocorre em meio a conflitos contínuos na Ucrânia, em Gaza e no Sudão, com o moderador Wolfgang Ischinger chamando a situação de “política de destroçar” que põe em risco a aliança transatlântica.
- Espera-se um tom menos confrontacional por parte dos EUA, com o secretário de Estado Marco Rubio liderando a delegação e devendo fazer um discurso mais conciliatório.
- A conferência receberá cerca de setenta chefes de Estado e de governo e mais de cento e quarenta ministros, incluindo Zelenski, Macron, Starmer e o ministro de Relações Exteriores da Índia, Jaishankar; Christine Lagarde também participa.
- Embora o tema central seja reforçar a cooperação, Trump parece recuar por ora em relação à Greenland, e a rotação de alianças europeias mostra que a dependência da defesa dos EUA persiste, com Rússia ausente e Irã ausente formalmente.
O Fórum de Segurança de Munique começa nesta sexta-feira em meio a tensões entre Washington e aliados europeus, a menos de um ano de ataques de JD Vance ao establishment europeu. A reunião ocorre em um cenário de guerras simultâneas, incluindo Ucrânia, Gaza e Sudão, que moldam o debate sobre defesa e cooperação transatlântica.
A expectativa é de tom menos confrontacional em relação aos EUA, com o secretário de Estado Marco Rubio à frente da delegação americana. O objetivo é manter a cooperação atlântica, ao mesmo tempo em que se busca maior autonomia europeia em temas de segurança e defesa.
Vance não comparecerá ao encontro deste ano, o que acena para um discurso mais conciliador de Washington. O líder alemão Wolfgang Ischinger, que comanda o fórum, disse que o cenário atual é marcado por uma política de destruição mais que por reformas graduais.
Participantes e cenário global
O evento contará com a presença de cerca de 70 chefes de Estado e governo e mais de 140 ministros, incluindo Wang Yi, Zelenski, Macron, Starmer e Jaishankar. Christine Lagarde também participa, destacando foco econômico aliado à segurança.
A Alemanha planeja reforçar a coesão transatlântica, mas enfatiza a necessidade de fortalecer a UE para garantir segurança e competitividade. A participação de representantes europeus sinaliza esforço para sustentar o apoio a Ucrânia.
O Congresso dos EUA enviou grande parte de sua delegação ao encontro, porém vários membros desistiram para acompanhar votações no cenário interno. A ausência de uma delegação completa influencia a percepção internacional sobre o peso americano.
Desdobramentos e perspectivas
A Rússia não participa do fórum, que também não convidou autoridades iranianas após a repressão no Irã. O filho do último xá do Irã fará discurso, enquanto há expectativa de uma grande mobilização de oposição iraniana na cidade.
Especialistas ressaltam que, mesmo com menor tom hostil, a mudança estrutural nas relações transatlânticas persiste. Rubio deve percorrer ainda Hungria e Eslováquia, regimes com posições nacionalistas que tensionam a UE.
Caso haja avanços em temas como garantias de segurança para a Ucrânia, pode haver progresso na direção de um cessar-fogo que encerre o conflito sem semear novas disputas. A conferência segue como palco de definições estratégicas.
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