- O juiz federal James Boasberg determinou que venezuelanos deportados para El Salvador podem retornar aos EUA para contestar seus casos, com custeio das viagens pelo governo norte‑americano.
- Um dos deportados afetados é Luis Muñoz Pinto, 27 anos, que vive em Bogotá desde a liberação e quer provar que não é membro da gang Tren de Aragua.
- A deportação ocorreu na noite de 15 de março do ano passado, quando mais de 250 venezuelanos foram enviados ao Cecot, prisão de El Salvador, desrespeitando ordens judiciais.
- Relatos e imagens descrevem condições brutais no Cecot, com detidos humilhados, sem contato com advogados ou familiares, e parte deles trocada em julho em troca de prisioneiros.
- Muñoz Pinto teme ser detido novamente ao retornar aos EUA para o processo, mas afirma querer voltar para defender sua inocência.
Um juiz federal dos EUA determinou que alguns venezuelanos deportados para El Salvador devem ter a oportunidade de retornar aos Estados Unidos para contestar seus casos de imigração. A decisão, proferida em Washington, também determina que o governo cubra as despesas de viagem dos deportados que desejarem argumentar em solo americano.
Luis Muñoz Pinto, 27 anos, está entre os afetados. Ele foi mantido em um presídio conhecido por condições severas em Cecot, El Salvador, após a deportação de março do ano passado. Muñoz Pinto vive hoje em Bogotá, na Colômbia, desde a libertação, e tem interesse em voltar aos EUA para esclarecer sua situação.
A corte destacou que, se retornarem, os venezuelanos ainda poderão ser detidos ao chegar aos EUA, enquanto aguardam as etapas do processo. A decisão acontece após denúncias de violação de direitos após a expulsão de mais de 250 venezuelanos, parte de uma operação realizada na noite de 15 de março do ano anterior.
Muñoz Pinto relata agressões físicas no Cecot, descrevendo uma forte agressão que resultou em ferimentos no rosto. Ele não possui antecedentes criminais e era estudante de engenharia no seu país, que deixou em meio a protestos contra o governo. O profissional busca limpar seu nome e provar a inocência de ligações com gangues.
O caso envolve a gestão da imigração dos EUA durante a administração anterior, que ordenou prisões e transferências de venezuelanos a El Salvador, com relatos de falta de acesso a advogados e familiares. A recente decisão judicial reaviva o debate sobre o devido processo e as medidas aplicadas a esses indivíduos.
Segundo a reportagem, Muñoz Pinto também participou de entrevistas recentes para veículos de imprensa nos EUA, relatando as condições vividas e o impacto emocional da experiência. A defesa sustenta que não houve base para as acusações de associação com uma gangue venezuelana.
A decisão de Boasberg não estipula um prazo para o retorno dos deportados nem garante o sucesso em seus processos, mas estabelece a prerrogativa de que possam apresentar defesa adicional nos Estados Unidos. A cobertura oficial sobre o caso continua a depender de futuras audiências e desenvolvimentos judiciais.
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