- A cúpula da União Africana, em Adis Abeba, elegeu Évariste Ndayishimiye como presidente e ressaltou a necessidade de maior integração continental diante de um cenário internacional conturbado.
- Os líderes destacaram a importância de encerrar conflitos que afetam o continente, de Somália ao Sahel, incluindo Nigéria, Congo e Sudão do Sul, e criticaram a intervenção de potências estrangeiras.
- A reunião evidenciou fragilidade institucional e financeira da União Africana, com apenas 17 dos 55 países cobrando a taxa de 0,2 por cento sobre importações para financiar a organização, enquanto 64 por cento do dinheiro vem de doadores externos.
- A credibilidade da UA é abalada por apoiar líderes que reprimem opositores e por recentes golpes de Estado, com readmissões de golpistas como Mamady Doumbouya e Brice Oligui Nguema.
- O cenário geopolítico na África envolve competição entre Rússia, China e Estados Unidos, além de interesses de Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, com a União Europeia buscando recalibrar estratégias e reforçar parcerias.
A União Africana realizou sua cúpula neste fim de semana em Adis Abeba, Etiópia, com foco na fragilidade do continente diante de injerências externas e conflitos persistentes. A escolha recaiu sobre Évariste Ndayishimiye, do Burundi, como presidente da organização. O encontro também debateu aprofundar a integração continental para enfrentar o cenário global imprevisível.
Dirigentes africanos destacaram a necessidade de consolidar a unidade, ampliar a resposta a crises e reduzir a dependência de potências externas. A reunião destacou preocupações com intervenções de países como China, Rússia, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, além de discutir impactos da conjuntura internacional na África.
Entretanto, o equilíbrio permanece frágil. A União Africana depende de financiamentos externos, enquanto a taxa de 0,2% sobre importações, aprovada para isentar seus gastos, ainda não é amplamente implementada. Apenas 17 dos 55 países cobram a taxa, e a maior parte do orçamento vem de doadores.
A cúpula reforçou que, 63 anos após a criação da OUA, o sonho de um mercado comum e de maior autonomia econômica engatinha. Consequências incluem persistentes conflitos, centenas de milhares de mortos e deslocados, e desafios de governança que afetam a credibilidade da instituição, especialmente entre jovens.
Na prática, a organização tem enfrentado dilemas de legitimação institucional. Golpistas que tentaram consolidar o poder emGuiné, Gabão, entre outros, foram readmitidos na UA, sinalizando tensões internas sobre critérios de adesão e governança. A institucionalidade africana busca respostas mais consistentes.
Terreno geopolítico
A África tornou-se campo de competição entre potências por recursos e influência. Rússia ampliou atuação no Sahel com apoio militar, China oferece financiamentos em troca de participação em recursos, e EUA buscam conter a ascensão chinesa. Arábia Saudita e Emirados fortalecem alianças estratégicas no Cuerno.
Além disso, a União Europeia busca recalibrar sua presença regional, com França repensando estratégias em colônias antigas e Itália investindo em projetos para frear migração rumo à Europa. A ONU permanece como principal financiadora de missões de paz, mas pode enfrentar ajustes de orçamento em 2026, o que impacta ações humanitárias.
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