- A crise em Cuba atinge saúde, educação e segurança: há escassez de remédios, médicos deixaram o país e hospitais enfrentam apagões frequentes.
- O desabastecimento de medicamentos chega a quase setenta por cento, e a relação médico-paciente aumentou de um para 350 a 1.500 em décadas recentes.
- A educação também é afetada: universidades foram fechadas temporariamente e bolsas foram cortadas, enquanto muitas crianças estudam com pouca luz.
- A economia registra queda acentuada: o PIB caiu 11% nos últimos cinco anos, 5% em 2025, com inflação acima de 10% e dependência de importações; o setor turístico também sofre forte recuo, especialmente Varadero.
- O exílio diverge entre apoiar ou cortar remessas e ajuda, enquanto a população enfrenta alta insegurança, com mais controles policiais e relatos de roubos e vigilância constante.
A crise em Cuba se agrava à medida que sinais de esgotamento aparecem nos pilares do modelo social. Serviços públicos, antes apresentados como referência, enfrentam desabastecimento, cortes de energia e queda de produção. A narrativa de avanços sociais dá lugar a relatos de dificuldade diária para famílias.
Na capital, médicos relatam falta de insumos básicos e pacientes precisam levar próprios materiais para consultas. Em um consultório de bairro, a doutora Omitsa Valdés explica que, sem reagentes, muitos procedimentos simples não podem ser realizados. O quadro reflete diagnóstico de uma rede de saúde com recursos reduzidos.
O panorama se estende a níveis municipais, com apagões frequentes, escolas parcialmente mantidas e queda no turismo. A economia acusa queda do PIB, inflação alta e dependência de importações para bens básicos. O governo atribui medidas de contenção a crises energéticas, enquanto a população sente o peso da escassez.
A repressão permanece como componente constante do regime. Agentes da Segurança do Estado intensificam a vigilância sobre dissidentes e ativistas, com detenções e restrições de movimento em diversas regiões. Casos de observação policial aumentam, enquanto a população observa o espaço público sob tensão.
A situação econômica se reflete em hábitos diários: filas em bancos, reduzidos estoques de alimentos e queda de renda média. O abastecimento de mercadorias submetido a subsídios é alternado por interrupções, elevando a pressão sobre famílias de baixa renda. O impacto é observado em cidades como La Habana e Varadero.
O êxodo não é novidade, mas o deslocamento populacional se acelera. Dados apontam redução expressiva da população em jovens e trabalhadores qualificados. Remessas, viagens e remessas sofrem interrupções, com efeitos sobre famílias no exterior e sobre o funcionamento de comunidades cubanas no país.
Varadero, tradicional polo turístico, ilustra a dualidade da crise: queda no fluxo de visitantes, cancelamento de voos e redução de operações hoteleiras. O setor, que já esteve aberto a grandes investimentos, registra menor atividade e preocupa trabalhadores locais. O ambiente é de incerteza sobre o futuro do turismo na ilha.
A cada dia, a sociedade observa mudanças no cotidiano: horários de serviços reduzidos, iluminação irregular, e uma sensação de insegurança crescente. Em meio a esse cenário, projetos de resistência e de apoio comunitário surgem, ainda que de forma discreta, diante da crise persistente.
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