- Mohan Karki foi deportado para o Butão em 13 de janeiro, após meses de detenção e ações legais movidas pela esposa e por advogados. Ele é apátrida, nasceu em campo de refugiados no Nepal e não tem vínculo real com o Butão.
- Basnet, esposa dele, e Briana, filha de sete meses, aguardam notícias no Ohio; ela mantém campanhas legais e de apoio à família.
- Defensores de direitos humanos destacam um padrão de deportações para países com pouca ligação com os expulsos, sob críticas de colocar vidas em risco e de statelessness.
- Organizações apontam que o Butão não reconhece os refugiados nepaleses como cidadãos; há preocupação de que deportados se tornem apátridas ou sejam expulsos para outros lugares pouco seguros.
- Karki foi transferido para o Butão após chegar a Nueva Délhi; autoridades locais o receberam com opções limitadas, como prisão ou traslado para a fronteira com a Índia. Basnet continua a lutar pela retorno dele.
Mohan Karki, um homem de 30 anos, foi deportado para o Bhutan em 13 de janeiro, após mais de nove meses de detenção e uma longa batalha legal movida pela esposa e por advogados. Ele é stateless, não tem cidadania reconhecida, e não tem histórico de viver no Bhutan.
Basnet, esposa de Karki, está em Ohio com a filha de sete meses Briana. Ela acompanhou o processo a partir de Detroit, onde Karki estava detido, participando de audiências, reuniões com advogados e encontros da comunidade nepalesa. O casal havia planejado um futuro juntos nos EUA.
Karki nasceu em um campo de refugiados no Nepal e nunca viveu no Bhutan. Sua deportação ocorreu em meio a debates sobre políticas da administração atual que enviam refugiados para países com pouca ligação com eles, com risco a sua situação de apátrida.
Contexto internacional
Defensores de direitos humanos apontam que casos como o de Karki refletem um padrão de remoção a países onde as pessoas têm ligações mínimas, potencialmente colocando-as em risco de perseguição. Reclama-se de que há falta de acordos formais para repatriação entre o Bhutan e o Nepal, além de críticas a decisões que deixam refugiados em situação de apátrida.
Especialistas destacam que Bhutan tradicionalmente não reconhece a cidadania de refugiados nepaleses, o que agrava a vulnerabilidade de pessoas deportadas para lá. Relatos indicam que muitos retornados acabam deslocados para a fronteira com a Índia pouco depois.
Detalhes da trajetória de Karki
A trajetória de Karki inclui confronto com o sistema de imigração dos Estados Unidos após envolvimento em um caso de 2013 na Geórgia. O jovem aceitou um acordo para evitar prisão, o que influenciou seu status imigratório subsequente. Em 2014, uma ordem de remoção foi emitida, e ele acabou liberado sob supervisão.
Ao longo dos anos, Karki manteve contato com Basnet, que o conheceu em uma academia local. O casal se casou em dezembro de 2023, com planos de construir uma vida estável nos EUA. Dificuldades com permissões de trabalho e prazos de documentação complicaram a permanência do casal no país.
O dia da detenção e a transferência
Em 2 de abril de 2025, o casal compareceu a uma checagem de ICE que resultou na prisão de Karki. Ele foi transferido para o centro de detenção de Butler County e, posteriormente, processado para deportação ao Bhutan. Basnet relatou que o oficial afirmou que a decisão partia de autoridades superiores e que documentos de viagem já haviam sido emitidos.
Relatórios indicam que o Bhutan aceitou deportados como não-britânicos, sem garantir residência ou nacionalidade. A agência das Nações Unidas para refugiados ressaltou que deportações para Bhutan mantêm os indivíduos em estado legal de apátrida, sem proteção de cidadania.
Situação atual
Karki foi transferido para a prisão de St Clair, em Detroit, em junho de 2025, onde relatou maus-tratos e dificuldades de acesso a serviços médicos. Após meses de ações legais, incluindo petições, foi deportado em 13 de janeiro para o Bhutan, via Nova York e Nova Delhi, sem documentos que comprove sua identidade ao chegar.
Basnet continua na luta pela reintegração do marido, buscando apoio de advogados e comunidades nepalesas. Ela também sustenta a filha Briana, trabalhando em tempo integral para financiar a defesa e manter a família unida.
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