- O chanceler iraniano Abbas Araghchi, veterano de negociações nucleares, participa das conversas em Genebra com foco em concessões mútuas entre EUA e Irã.
- Araghchi é conhecido por adotar um estilo de barganha “mercado” e por escrever sobre diplomacia e negociações, destacando paciência, feints e controle emocional.
- O objetivo é manter as negociaçõs em curso, inclusive envolvendo o líder supremo Ali Khamenei, mesmo diante divergências entre as partes.
- A visita da equipe iraniana acompanha discussões sobre inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica e possíveis passos irreversíveis, como desnuclearização gradual mediante contrapartidas dos EUA.
- Especialistas observam que, além da área nuclear, podem surgir entendimentos não verificados ou pactos de não agressão, conforme condições políticas internas e externas.
O Irã e os Estados Unidos voltam às mesas de negociação em Genebra, nesta semana, para tratar do programa nuclear. O objetivo é reduzir tensões e evitar uma possível escalada regional, por meio de concessões mútuas e ajustes nos estilos de negociação.
Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, lidera a delegação iraniana. Diplomata há quase duas décadas em diálogo nuclear, ele afirma manter uma postura paciente e calculada, privilegiando estratégias de longo prazo dentro do governo iraniano.
Do lado americano, o enviado especial do governo dos EUA, Steve Witkoff, atua sobre um mandato variável, orientado por diretrizes ainda em revisão. Seu histórico inclui formação jurídica e atuação em negociações com o Irã desde a mudança de governo.
As negociações ocorrem em Genebra e envolvem ainda a presença de representantes da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) para assegurar verificação técnica. O objetivo é chegar a um acordo que permita retorno a limitações de enriquecimento.
Araghchi chega com a avaliação de que a cooperação precisa ser mútua e que a firmeza na posição iraniana é balançada pela necessidade de manter o diálogo ativo. Dentro do governo, sustenta que condições de poder interno influenciam o alcance de concessões.
Analistas afirmam que Araghchi tende a atuar de forma mais technocrática do que seu antecessor, buscando manter o equilíbrio entre linhas de representantes dentro do Irã e as estratégias do regime. A posição de Zarif no passado costuma ser citada para comparação.
A prioridade, segundo assessores, é manter aberto o canal de negociações, com a expectativa de que Estados Unidos ofereçam etapas reversíveis, como desbloqueio de ativos iranianos congelados, em resposta a reduções verificáveis no enriquecimento de urânio.
Especialistas destacam ainda que qualquer avanço pode exigir compromissos de parte a parte, incluindo visitas mais amplas da IAEA aos sites atingidos por ataques anteriores. A discussão também contempla componentes não estritamente nucleares.
Além dos aspectos técnicos, analistas ressaltam que o diálogo pode incluir entendimentos não verificados ou acordos de não agressão entre Washington e Teerã, caso se confirme o ritmo mais gradual das negociações atuais.
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