- O Congresso votou pelo impeachment do presidente interino do Peru, José Jerí, com 75 votos a favor e 24 contra, encerrando seu mandato de quatro meses.
- Jerí ficou envolvido em um escândalo conhecido como “Chifagate”, após vídeos mostrarem encontros clandestinos com empresários chineses fora da agenda oficial.
- Um dos registros mostra Jerí tentando ocultar a identidade com capuz em uma das visitas, aumentando as acusações de irregularidades.
- Procuradores abriram investigação preliminar sobre possível influência de redes ligadas aos encontros com o empresário chinês Yang Zhizua, conhecido como “Johnny”.
- O Congresso deve indicar o substituto de Jerí na próxima sessão, poucos meses antes das eleições presidenciais, enquanto partidos passam a buscar distância do caso.
Peru expulsou o presidente interino José Jerí em um processo de impeachment acelerado após quatro meses no cargo. O parlamento aprovou, por 75 votos a 24, a abertura do processo contra ele.
Jerí ficou envolto no escândalo conhecido como Chifagate, após cenas de câmeras de segurança mostrarem encontros sigilosos com empresários chineses fora da agenda oficial, incluindo uma ocasião em que ele tenta esconder o rosto com capuz.
O caso abriu várias frentes. Procuradores investigam possível influência indevida ligada aos encontros com Yang Zhizua, conhecido como Johnny, que vive no Peru há décadas. Em outra linha, Ji Wu Xiaodong é acusado de pertencer a uma rede de contrabando de madeira.
Jerí, de 39 anos, era o sétimo presidente do Peru em menos de uma década, em meio a destituições, renúncias e mandatos interinos, refletindo a instabilidade política do país. Sua popularidade já havia caído antes da crise atual.
Substituição e próximos passos
A pauta de investigação envolve ainda contratações de jovens sem qualificação para cargos no palácio, incluindo momentos de viagens oficiais em avião presidencial, segundo registros de entrada e saída.
O Congresso vai votar, na próxima fase, para definir quem comandará o governo até as eleições presidenciais de abril, marcadas para reduzir a lacuna política. A data exata da substituição ainda não foi anunciada.
Contexto e desdobramentos externos
A crise ocorre num momento de atrito entre os EUA e a China, com o novo embaixador americano em Lima criticando supostos “pagamentos chineses baratos” vinculados à boa relação com o Peru, especialmente sobre o porto de Chancay.
O porto, automatizado e situado a cerca de 80 quilômetros de Lima, é alvo de controvérsia por ser associado a interesses chineses em investimentos e operações logísticas, o que alimenta tensões diplomáticas regionais.
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