- Diversos líderes mundiais vão a Washington para a reunião inaugural do Board of Peace, criado por Donald Trump, que contou com a ausência de importantes aliados europeus.
- A cúpula deve funcionar principalmente como rodada de arrecadação, com Trump dizendo que mais de US$ 5 bilhões foram comprometidos para a reconstrução de Gaza.
- O mandato do Board foi ampliado para além de Gaza, abrangendo respostas a outros conflitos globais, mas há ceticismo generalizado sobre a eficácia do grupo.
- O Vaticano e líderes de grandes aliados dos Estados Unidos, incluindo Reino Unido, Alemanha e França, recusaram participação; o primeiro-ministro de Israel também não compareceu.
- No terreno, pouco progresso é visto: a Administração Trump já enfrenta entraves para a implementação de planos como a força de estabilização internacional e a paralisação de doações humanas, enquanto o comitê de Gaza opera com recursos limitados.
Dozens de líderes mundiais e delegações nacionais seguem para Washington DC para a reunião inaugural do Board of Peace de Donald Trump. O encontro, que ocorre amanhã, é visto como pouco provável de produzir avanços significativos no conflito Israel-Gaza, segundo analistas.
Segundo a Casa Branca, o encontro na instituição renomeada Donald J Trump Institute of Peace funcionará principalmente como um round de arrecadação. Trump afirmou em redes sociais que países já comprometeram mais de 5 bilhões de dólares para a reconstrução de Gaza, devastada pelo conflito.
Trump também disse que os países membros teriam mobilizado milhares de profissionais para a Força Internacional de Estabilização e para a Polícia Local, para manter segurança em Gaza. O objetivo original da iniciativa é reconstruir a faixa, mas o mandatário ampliou o foco para responder a conflitos globais.
A cúpula, porém, chega cercada de ceticismo. Espera-se pouca adesão de aliados europeus e de outras potências, com críticas à falta de transparência de financiamento e ao mandato político do board. O enfraquecimento de apoios é visto como desafio para a credibilidade da proposta.
Reação internacional e participação
Ursula von der Leyen recusou o convite para a função de presidente da Comissão Europeia, e líderes de Reino Unido, Alemanha e França também sinalizaram que não comparecerão. O governo canadense manteve convite para o ex-governante Mark Carney, mas Trump o revogou após críticas no Davos.
O Vaticano também não aderiu ao Board, como ressaltado por autoridades e críticos que veem o movimento como tentativa de usurpar funções de organismos como a ONU. O Pontífice afirmou que a gestão de crises deve ser principalmente trilha da comunidade internacional.
Delegações do Oriente Médio devem participar, incluindo Israel, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Turquia, Jordânia e Qatar, além de representantes de países menos diretamente envolvidos no Gaza. Países da América Latina e da Europa também enviam representantes para demonstrar apoio indireto.
Desafios operacionais e perspectivas
Especialistas destacam dúvidas sobre governança, segurança no terreno e atendimento imediato às necessidades da população palestina. Analistas lembram que promessas de doação não equivalem a resultados práticos, sobretudo sem mecanismos de implementação.
Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu optou por não comparecer; o ministro das Relações Exteriores, suplente de posições mais conservadoras, participa. A cooperação com o plano de paz enfrenta resistência em ano eleitoral e tensões com países vizinhos.
O comitê administrativo designado para Gaza, NCAG, permanece em Cairo, sem clareza sobre orçamento e poderes. Críticos apontam frustração com a lentidão e a falta de autonomia operacional para ações concretas no território.
Contexto e evolução
Observadores destacam avanço limitado de estruturas de paz criadas pelo chamado plano de 100 dias, apresentado por Jared Kushner. Organizações humanitárias relatam que a ajuda continua restrita e que o acesso a itens de uso duplo continua proibido, dificultando reconstrução.
Enquanto oBoard of Peace busca sinalizar movimento internacional, muitos alertam que, sem avanços rápidos e verificáveis no terreno, a iniciativa pode perder legitimidade diante da comunidade global.
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