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Irã subestima perigosamente sua situação

Teerã insiste no modelo de 2015 e subestima a mudança na leitura de Washington, elevando o risco de escalada se o diálogo se prolongar

Iranian Supreme leader Ali Khamenei is alongside Iran's President Masoud Pezeshkian, Parliament Speaker Mohammad Bagher Ghalibaf, Judiciary Chief Mohsen Ejeie, and Hezbollah representative in Iran Abdallah Safieddine reading the Koran during the Friday prayer ceremony on October 04, 2024 in Tehran.
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  • Em 21 de fevereiro de 2022, antes de um acordo parecer próximo, a Rússia invadiu a Ucrânia e as negociações com os EUA mostraram-se detalhadas, mas não se concretizaram; a leitura de Teerã era de que crises europeias deixariam sua posição mais favorável, o que não aconteceu.
  • Hoje há um descompasso entre como Teerã entende as negociações e como Washington conduz, com um “vazamento de velocidade” que pode encurtar prazos desde já.
  • No mês anterior, Israel atacou o Irã em larga escala após sinalizações diplomáticas, destruindo parte da liderança militar e reduzindo o enriquecimento de urânio, o que enfraqueceu a alavancagem de Teerã.
  • O acordo de 2015, chamado Plano de Alberto de Ação Conjunta (JCPOA), não reflete mais a realidade atual; os EUA insistem em que, além de nuclear, haja restrições a mísseis balísticos e atuação regional, tornando a toolkit de negociações amplamente obsoleto.
  • O ambiente estratégico mudou no Oriente Médio: Síria, Hezbollah, Hamas e Iraque perderam parte de sua influência; Teerã continua acreditando que a via diplomática levará a um acordo, enquanto os riscos de escalada e de esgotamento de cansaço das negociações aumentam.

Iran erra ao subestimar a própria posição e o momento internacional, com consequências potencialmente graves. O país acredita controlar as negociações com os Estados Unidos, mas as expectativas não se confirmaram e o cenário mudou.

Em 21 de fevereiro de 2022, a potência buscar negociar com Washington enquanto reagia aos desdobramentos da guerra na Ucrânia. Irã, EUA e demais signatários do acordo nuclear viviam a expectativa de um acordo, segundo relatos de assessores próximos à delegação iraniana.

A conversa mirava aliviar parte das sanções durante a gestão de Joe Biden, mas o conflito na Europa redefiniu prioridades globais. Oficiais iranianos afirmaram que o inverno seria favorável a Teerã, e a Europa seria atingida pela crise energética, fortalecendo a posição iraniana.

Contexto internacional

O que aconteceu depois evidenciou uma discrepância entre a leitura de Teerã e a prática de Washington. Um diplomata regional falou de um chamado “gap de velocidade” entre as abordagens. Segundo ele, a paciência não é o impulso estratégico de Biden, que busca avanços rápidos em alguns casos.

A mensagem foi clara: prolongar as negociações para abrir espaço político nos EUA poderia ser arriscado para Teerã, cuja tolerância a atrasos pode se esvair antes de qualquer calendário diplomático. A advertência ecoa momentos anteriores de choque entre expectativas iranianas e a realidade.

Cenário regional e lições da experiência

Na véspera de ataques israelenses de 2024, autoridades iranianas esperavam evitar conflitos até o fim de uma rodada de negociações em Muscat. Em vez disso, Teerã sofreu ataques com danos significativos a infraestrutura militar e elevou a tensão regional.

O fim daquele confronto, marcado por uma trégua e ações coordenadas, deixou Teerã com menor capacidade de enriquecimento e infraestrutura danificada. A percepção de que houve uma vantagem de barganha anterior tornou-se menos viável.

Mudanças estruturais no ambiente estratégico

Um ex-funcionário iraniano apontou que o país continua preso a um modelo de 2015, quando o acordo nuclear parecia mais viável. Hoje, condições políticas, militares e internacionais são diferentes, exigindo novas ferramentas de negociação.

A gestão de 2015 dependia de convergência entre Washington e Teerã e de um ambiente internacional favorável. No cenário atual, EUA cobram restrições combinadas a mísseis balísticos e atividades regionais, tornando o toolkit anterior inadequado.

Desafios no processo de negociação

Teerã interpreta o aumento de operações militares dos EUA como pressão para retomar as negociações, mantendo a esperança de acordo nuclear. A leitura de que Washington busca evitar uma guerra regional prolongada persiste, ainda que o equilíbrio de poder tenha mudado.

O despreparo para escaladas não é o problema central. Segundo relatos ocidentais, Teerã demonstra capacidades e reabastece arsenais, mas confia em um desfecho diplomático anterior. Tal confiança pode estar desatualizada diante da nova realidade regional.

Cenário interno e perspectivas

O entorno geopolítico próximo de Teerã se reorganizou: a Síria está fora de equação estratégica, Hezbollah e Hamas sofreram perdas de defesa, e o Iraque reconfigura-se. O Oriente Médio mudou, refletindo novos cenários de dissuasão.

Mesmo com encontros entre líderes israelenses e norte-americanos, as negociações lideradas pelo Secretário do Conselho de Segurança Nacional persiste em focar principalmente o tema nuclear. Há dúvidas sobre a disposição de Washington de sustentar um conflito prolongado na região.

Risco e incerteza

O dilema envolve quem cederá primeiro: Teerã, que encara a mesa de negociações como meio de solução, ou Washington, que impõe condições para restringir mísseis e atividades regionais. A incerteza permanece sobre o timing e o desfecho.

A economia política interna de Teerã também influencia. Grupos diferentes discutem o peso de confrontos externos versus estabilidade doméstica, o que molda as opções de resposta a pressões externas.

Conclusão sem fechamento

O cenário sugere que o jogo de poder entre EUA e Irã continua, com cada parte buscando ganhos estratégicos sem recorrer a um rompimento imediato. A compreensão mútua ainda depende de como cada lado lê o tempo e a disposição da outra parte.

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