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Mai Sato, relatora da ONU para o Irã, diz que ataque militar não é solução

Relatora da ONU afirma que repressão às protestas no Irã persiste a um mês; números de mortos e detenções são contestados e requerem apuração

Mai Sato, la relatora especial para los Derechos Humanos en Irán, en una imagen tomada en Melbourne, Australia, el 18 de marzo de 2024.
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  • Mai Sato, relatora especial da ONU para os Direitos Humanos no Irã, afirma que a repressão às últimas manifestações persiste um mês após o fim dos protestos, com detenções, presença de forças de segurança e registros de telefones de transeuntes.
  • Cifra oficial divulgada pelo Conselho de Segurança Nacional aponta 3.117 mortos até o fim de janeiro, sendo 2.427 civis e 690 considerados terroristas; organizações da sociedade civil estimam números muito superiores, chegando a mais de vinte mil.
  • A pesquisadora diz que a violência é inédita pelo alcance, já que protestos se espalharam por todas as províncias, ainda que a repressão a sistemas civis já ocorresse antes, mais restrita em escala.
  • Rejeita uma ação militar sem aprovação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, apontando que golpes militares não costumam oferecer solução para os problemas do país.
  • Sobre detenções e abusos, cita variação de cifras (até 3 mil oficiais citados pela imprensa, até 50 mil estimados por organizações civis), relatos de desaparecimentos, torturas e pressão para o pagamento de valores para recuperação de corpos, além de destacar que o movimento incluiu pessoas comuns, não apenas ativistas.

Mai Sato, relatora especial da ONU para os Direitos Humanos no Irã, disse, em videoconferência desde Londres, que as detenções, a presença de forças de segurança nas ruas e a coleta de dados em celulares continuam ocorrendo, um mês após o fim das grandes protests.

A especialista japonesa afirma que a repressão ganhou escala, não apenas intensidade. Ela destaca que protestos se estenderam por todas as províncias e que o recorte histórico é relevante, ainda que haja práticas de longa data contra dissidentes.

Contagens e contextos

O Conselho de Segurança Nacional iraniano divulgou 3.117 mortos até o fim de janeiro, com 2.427 descritos como civis, segundo autoridades. Organizações da sociedade civil estimam números muito mais altos, chegando a cerca de 20 mil.

A relatora ressalta ainda incertezas sobre detenções e desaparecimentos: cifras oficiais não foram atualizadas, e relatos de organizações civis variam amplamente, com centenas de casos sem solução até agora.

Impacto e denúncias

Segundo Sato, o movimento incluiu homens, mulheres, minorias étnicas e religiosas, abrangendo diversas regiões do país. Ela observa abusos em centros de detenção, com relatos de violência sexual contra mulheres.

A pesquisadora também confirma denúncias de cobrança de valores para a liberação de corpos de manifestantes mortos, com valores entre 3 mil e 7 mil dólares, segundo relatos de famílias.

Perspectivas e investigações

Mai Sato indica que não há evidência suficiente para classificar os fatos como crimes contra a humanidade sem uma investigação formal. A ONU mantém a Missão Independente de Investigação para examinar abusos durante as protestas.

Sobre o futuro, a relatora defende transparência e um processo de verdade nacional como resposta à crise, independente de soluções políticas imediatas.

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