- Alexander Csergo, empresário australiano de 59 anos, é acusado de interferência estrangeira de forma imprudente após fornecer relatórios a duas pessoas que ele acreditava trabalhar para a inteligência chinesa.
- O ex-primeiro-ministro Kevin Rudd deve testemunhar no julgamento, que começou na quinta-feira.
- A acusação afirma que Rudd não teve contato com Csergo; o material incluía citações falsas de entrevistas com Rudd para tornar os relatórios mais valorizados.
- Os relatos mencionavam temas como lítio, minério de ferro, mudança de governo alemão, acordo AUKUS e o Quad, com o empresário usando apenas materiais de fontes abertas.
- Durante a investigação, a Polícia Federal australiana apreendeu documentos, smartphone, notebook e mais de 3.200 mensagens WeChat entre Csergo e as duas supostas interlocutoras, Ken e Evelyn.
O empresário australiano Alexander Csergo foi acusado de interferência estrangeira ao fornecer relatórios a pessoas que ele acreditava trabalhar para o Ministério de Segurança de Estado da China. A promotoria afirma que os materiais continham informações estratégicas e que Csergo usou fontes abertas para reuni-las, simulando entrevistas com figuras como Kevin Rudd.
A acusação sustenta que Csergo, 59 anos, tinha ligação com dois indivíduos identificados como “Ken” e “Evelyn”, com quem comunicou entre novembro de 2021 e março de 2023. Os encontros eram marcados em restaurantes ou cafés, onde documentos impressos ou arquivos em USB eram entregues pessoalmente.
Segunda a promotoria, Csergo entregou informações sobre temas como lítio e minério de ferro, mudanças no governo alemão, o acordo AUKUS e a parceria Quadrilateral (Quad). O material teria sido obtido de fontes abertas e incluiu citações simuladas de entrevistas com várias pessoas, incluindo Rudd.
Durante o julgamento, a defesa afirmou que o ex-primeiro-ministro não conversou com Csergo após o empresário o ter contatado, para tratar de defesa australiana, AUKUS e o Quad. O advogado disse ainda que as peças teriam sido criadas para dar verossimilhança aos relatórios.
A promotoria informou que, ao concluir cada relatório, Csergo não enviava por e-mail. Em vez disso, ele entregava versões impressas ou digitais em veículos físicos, como parte de encontros presenciais com Ken e Evelyn. O tribunal viu registros de mensagens no WeChat entre eles.
Em uma busca policial realizada em março de 2023 no domicílio de Csergo, em Bondi, a Polícia Federal australiana apreendeu um documento com instruções para buscar informações sobre China em esferas de inteligência, defesa e política externa. Também foram apreendidos dispositivos eletrônicos.
Os investigadores disseram ter identificado mais de 3.200 mensagens entre Csergo e seus dois supostos interlocutores. O empresário afirmou que se sentia obrigado a colaborar com Ken e Evelyn por estar sob vigilância chinesa e por restrições impostas pela COVID-19, segundo a leitura de testemunhas.
O advogado de defesa argumentou que o único comportamento questionável seria a disseminação de material escrito por terceiros como se fosse dele, e não há indícios de segredos industriais ou capacidades militares da Austrália nos relatórios. O julgamento segue em curso.
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