- Chefes de cinco agências de espionagem europeias dizem estar pessimistas sobre um acordo de paz neste ano para encerrar a guerra na Ucrânia, mesmo com afirmações de Trump sobre avanços nas negociações.
- Segundo eles, a Rússia não busca um fim rápido do conflito e usa as conversas com os EUA para pedir alívio de sanções e acordos comerciais.
- As conversas em Genebra desta semana foram vistas como “teatro de negociação” por um dos oficiais, em meio a divergências com previsões de Washington.
- Ucrânia afirma que pretende fechar o acordo até junho, enquanto Moscou quer manter metas estratégicas, incluindo a retirada de Zelenskiy, e tornar a Ucrânia um estado neutro.
- Há riscos de a Rússia tentar abrir dois trilhos: um sobre a guerra e outro sobre acordos bilaterais com os EUA, possivelmente envolvendo sanções, conforme as autoridades de inteligência.
A inteligência europeia permanece cética sobre um acordo de paz para a Ucrânia neste ano, apesar de declarações de apoio de Donald Trump sobre negociações mediadas pelos EUA estarem próximas. Cinco chefes de agências de espionagem consultados pela Reuters dizem que a Rússia não pretende terminar o conflito rapidamente e usa as conversas para conseguir alívio de sanções e negócios com Moscou.
Para eles, as negociações em Geneva, a mais recente rodada, representam mais um “teatro de negociação” do que um movimento real para o fim do conflito. A leitura comum é de que a Rússia busca preservar seus ganhos estratégicos, não um cessar-fogo rápido.
Um dos diretores afirma que a meta de Moscou inclui a retirada de Zelenskiy e a transformação da Ucrânia em um Estado neutro aliado à esfera ocidental. Outro oficial ressalta que a economia russa não está à beira do colapso e, por isso, não há urgência de um acordo imediato.
A perspectiva de um acordo rápido contrasta com avaliações de que a Rússia não vê necessidade de ceder território de forma acelerada. O grupo de espiões também aponta riscos de que o Kremlin amplie exigências caso obtenha concessões iniciais.
DIPLOMACIA INTENSA
Ucranianos e russos realizaram uma terceira rodada de reuniões mediadas pelos EUA em 2026, sem avanços significativos sobre pontos críticos, entre eles o controle de território. Moscou exige que Kiev se retire da porção oriental de Donetsk que ainda está sob controle russo.
Segundo um dos chefes de inteligência, a Rússia poderia ficar satisfeita com parte de Donetsk, mas isso não significaria o fim da resistência contra um governo pró-Oeste. Outro dirigente alerta que a ideia de cedências rápidas tende a atrasar negociações reais.
Um terceiro assessor observa uma visão equivocada de que abrir mão de Donetsk, por si só, levaria a um acordo. Ele prevê que novas demandas surgiriam após qualquer concessão territorial.
A assessoria de imprensa da Casa Branca reiterou que críticas anônimas não ajudam o esforço de paz, destacando que Trump e sua equipe trabalham para aproximar as partes. Não houve resposta oficial rápida de Moscou.
Do lado americano, a negociação envolve figuras como Steve Witkoff e Jared Kushner, sem experiência diplomática formal específica para Rússia ou Ucrânia, segundo relatos dos assessores.
RISCO E ECONOMIA
Duas fontes indicam que a Rússia pode ter interesse em dividir as tratativas em dois trilhos: um sobre a guerra e outro sobre acordos bilaterais com os EUA, que poderiam incluir alívio de sanções. Zelenskiy afirma que as discussões sobre esses acordos bilaterais já existem.
Não há detalhes públicos sobre tais propostas. Um segundo oficial descreve o cenário econômico de Moscou como resiliente, apesar de dificuldades previstas para o segundo semestre de 2026. A taxa de juros está em 15,5% e o orçamento depende de fontes de financiamento limitadas pela sanção.
Analistas destacam ainda a deterioração da atividade econômica na Rússia, com o consumo e serviços sob pressão. O repasse de informações é feito por meio de fontes humanas, comunicações interceptadas e outras técnicas, segundo as agências.
Fonte: Reuters, com reportagens de Tom Balmforth e Gram Slattery em Munique.
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