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Mortes em Gaza nos primeiros 15 meses de guerra são maiores que as reportadas, diz estudo

Lancet Global Health aponta que mais de setenta e cinco mil palestinianos foram mortos nos primeiros quinze meses da ofensiva em Gaza, com cinquenta e seis por cento entre mulheres, crianças e idosos

A Palestinian child walks through the cemetery with graves of some of those killed during the war, in Deir al-Balah, central Gaza Strip, January 30, 2026. REUTERS/Mahmoud Issa
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  • Estudo da Lancet Global Health estima que mais de 75 mil palestinianos foram mortos nos primeiros 15 meses da ofensiva em Gaza, bem acima das cerca de 49 mil divulgados pela saúde local na época.
  • A pesquisa aponta que mulheres, crianças e idosos representam 56,2% das mortes violentas em Gaza nesse período, número que, segundo os autores, está próximo do divulgado pelo ministério da saúde de Gaza.
  • O levantamento foi realizado pelo Palestinian Center for Policy and Survey Research, com 2 mil domicílios entrevistados em levantamento de campo iniciado em 30 de dezembro de 2024 e durando sete dias.
  • Os pesquisadores calculam que, até 5 de janeiro de 2025, entre 3% e 4% da população de Gaza tenha sido morta de forma violenta; também estimam 16.300 mortes não violentas durante os 15 meses.
  • A ONU tem feito visto as informações do ministério como confiáveis; Israel questiona esses números. O estudo utilizou entrevistas presenciais e incluiu um intervalo de confiança de 95% para as mortes violentas.

Mais de 75 mil palestinianos foram mortos nos primeiros 15 meses da ofensiva militar de Israel em Gaza, segundo estudo publicado na Lancet Global Health. A pesquisa, peer-reviewed, aponta números superiores aos 49 mil anunciados na época por autoridades locais de saúde. O recorte cobre o período até 5 de janeiro de 2025.

O estudo argumenta que mulheres, crianças e idosos constituíram 56,2% das mortes violentas em Gaza nesse intervalo, trajetória que, segundo os autores, se aproxima das avaliações do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza. A análise é apresentada como a primeira pesquisa populacional independente sobre mortalidade no território.

Metodologia e principais números

A pesquisa foi conduzida pelo Palestinian Center for Policy and Survey Research, liderado por Khalil Shikaki, com Michael Spagat, da Royal Holloway, como autor principal. Foram ouvidas 2.000 famílias palestinas em Gaza, em entrevistas presenciais de sete dias iniciadas em 30 de dezembro de 2024.

Os autores dizem que, até 5 de janeiro de 2025, entre 3% e 4% da população de Gaza havia morrido de maneira violenta, com um número considerável de óbitos não violentos indiretos causados pelo conflito. A coleta não utilizou apenas registros oficiais, segundo o estudo.

Também foram estimadas 16.300 mortes não violentas nos 15 meses em estudo, decorrentes de doenças, condições pré-existentes, acidentes ou outras causas não ligadas diretamente aos combates. Ao todo, os autores apontam 75.200 mortes violentas nesse período.

Contexto e disputas sobre os números

A contagem de vítimas em Gaza permanece alvo de disputas. O UNICEF e a ONU têm, historicamente, aceitado os números do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza como referência confiável, apesar dos debates sobre logística de coleta de dados diante da destruição. Israel questiona as cifras, citando controle do ministério pela liderança Hamas, embora uma autoridade militar tenha dito recentemente que os números seriam amplamente precisos, posição que a própria assessoria militar negou.

Os pesquisadores afirmam que as estimativas de mortalidade apresentadas pelo estudo são consistentes com relatos de campo e que, caso haja subnotificação, esta seria inferior a 40% nos primeiros meses da guerra, podendopersistir com margens semelhantes. O estudo destaca que é a primeira análise de mortalidade em Gaza baseada em entrevistas diretas com moradores, sem depender exclusivamente de registros oficiais.

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