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Trump decidirá sobre Irã em 10 dias e cria Conselho da Paz com mais de 20 países

Presidente anunciou aportes de aliados para ajuda e reconstrução do território palestino e disse não ver necessidade de envio de tropas.

Foto: Benedikt von Loebell/Fórum Econômico Mundial

Trump comandou o primeiro conselho da paz para Gaza. O presidente dos Estados Unidos iniciou na manhã desta quinta-feira (19), em Washington, a primeira reunião do Conselho da Paz, criado por seu governo. Durante o evento, Trump elogiou os líderes que aceitaram participar do conselho, onde citou o presidente da Argentina, Javier Milei, e afirmou […]

Trump comandou o primeiro conselho da paz para Gaza. O presidente dos Estados Unidos iniciou na manhã desta quinta-feira (19), em Washington, a primeira reunião do Conselho da Paz, criado por seu governo.

Durante o evento, Trump elogiou os líderes que aceitaram participar do conselho, onde citou o presidente da Argentina, Javier Milei, e afirmou ter apoiado sua candidatura, além de mencionar apoio também a Viktor Orbán e comentar sobre o presidente do Paraguai, Santiago Peña.

Trump concede prazo de dez dias ao Irã e volta a ameaçar Teerã

Em declarações no conselho, Trump afirmou que decidirá em cerca de dez dias o que fará em relação ao Irã caso não haja um acordo sobre o programa nuclear do país, voltando a ameaçar Teerã com “coisas ruins” se não houver avanços. 

A declaração sobre o Irã ocorreu na mesma semana em que autoridades dos EUA se reuniram com representantes iranianos em Genebra, na Suíça, para negociações sobre o programa nuclear.

O Irã afirmou que o encontro de três horas progrediu e citou novas reuniões, enquanto os EUA demonstraram descontentamento com a falta de acordo. 

Ao final da rodada em Genebra, representantes iranianos disseram que em duas semanas vão apresentar uma proposta detalhada para uma solução negociada com os Estados Unidos, mas não está claro se Trump aceitará esse prazo.

No encontro, que segundo a Casa Branca reuniu delegações de mais de 20 países, Trump disse não acreditar que a presença de soldados em Gaza será necessária e declarou que “Aparentemente o Hamas vai se desfazer de suas armas”, ao tratar do cessar fogo entre Israel e o grupo na Faixa de Gaza anunciado em outubro do ano passado.

Além da via diplomática, os Estados Unidos aceleraram preparativos militares para um possível ataque ao Irã, incluindo o envio de dois grupos de porta-aviões e a intensificação da movimentação de aeronaves no Oriente Médio. 

Sob o ponto de vista militar, a avaliação em Israel é que, em cerca de uma semana, a presença das forças dos EUA na região estará completa, e fontes israelenses dizem se preparar para cenários extremos por não acreditarem no sucesso das negociações.

Trump anuncia bilhões para Gaza e detalha plano de reconstrução

Em relação a Gaza, Trump afirmou que aliados dos EUA contribuíram com mais de US$ 7 bilhões para esforços de ajuda e anunciou que Cazaquistão, Azerbaijão, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Bahrein, Catar, Arábia Saudita, Uzbequistão e Kuwait estão entre os países que fizeram aportes.

No mesmo encontro, Trump anunciou que os Estados Unidos vão enviar US$10 bilhões para o Conselho da Paz, mas não detalhou o uso da verba. Segundo ele, a FIFA também planeja ajudar a arrecadar US$ 75 milhões para projetos relacionados ao futebol no território palestino.

A reconstrução anunciada por Trump inclui um plano apresentado em janeiro com um mapa que divide Gaza em áreas residenciais, industriais e turísticas, com previsão de 180 arranha céus ao longo da faixa litorânea voltados ao turismo e 100 mil unidades habitacionais em Rafah, no sul do território, na fronteira com o Egito. 

“A prioridade número um será a segurança”, disse Jared Kushner, conselheiro e genro de Trump, ao afirmar que o governo trabalha com os israelenses para reduzir a tensão e que a próxima fase envolve a desmilitarização do Hamas.

Ainda assim, pontos centrais do projeto seguem sem implementação, como a Força Internacional de Estabilização (ISF), descrita como um exército estrangeiro que, se criado, substituiria a presença do Exército de Israel na Faixa de Gaza, e o desarmamento do Hamas. 

O governo da Indonésia informou que pode enviar até 8 mil soldados para Gaza, com os primeiros mil prontos para assumir posições em abril e os demais até junho, segundo um porta-voz do exército indonésio, Donny Pramono:

“O cronograma de envio permanece totalmente sujeito às decisões políticas do Estado e aos mecanismos internacionais aplicáveis”, disse Pramono em mensagem à Reuters.

O desarmamento do Hamas permanece como um dos pontos mais incertos do plano, já que lideranças do grupo dizem publicamente que não aceitarão entregar armas. Em discurso no Fórum da rede Al Jazeera, do Catar, o líder sênior do Hamas, Khaled Mashal, propôs uma trégua de cinco a 15 anos, com as armas guardadas durante o período, sob apoio internacional e garantias do Catar, Egito e Turquia. Autoridades israelenses condenaram as declarações e disseram que elas mostram que o Hamas planeja uma nova guerra.

Regras e liderança de Trump no conselho elevam tensão com ONU, França e Vaticano

Pelos termos estabelecidos pela Casa Branca, Trump terá poder de veto no Conselho da Paz e poderá seguir na liderança mesmo após deixar o cargo. Para obter condição de membro permanente, os países devem desembolsar US$1 bilhão (aproximadamente R$5,2 bilhões). 

No encontro, Trump afirmou que o conselho vai “praticamente supervisionar a ONU”, sem detalhar como isso ocorreria, e ao mesmo tempo disse que pretende fortalecer a organização e garantir sua “viabilidade”, inclusive com apoio financeiro. 

A ONU estimou em outubro do ano passado que a reconstrução de Gaza custaria US$70 bilhões, e as contribuições anunciadas por Trump não atingem esse valor.

O Brasil foi convidado para compor o conselho, mas ainda não respondeu se participará. Entre as ponderações atribuídas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está a ausência de representantes da Palestina. 

Há expectativa de que o convite ao Brasil seja discutido em uma reunião entre Lula e Trump prevista para março. Lula criticou a criação do conselho e afirmou que, com a iniciativa, “a carta da ONU está sendo rasgada”.

A reunião não contou com autoridades de países europeus como Reino Unido, França e Alemanha, embora a Comissão Europeia tenha enviado um representante, o que gerou críticas do governo francês. 

O porta voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Pascal Confavreux, disse que Paris se surpreendeu com a presença do representante:

“Quanto à Comissão Europeia e à sua participação, na verdade estamos surpresos, porque ela não tem um mandato do Conselho para ir e participar”, disse Confavreux à Reuters.

O Vaticano também informou que não participará do conselho, segundo declaração do cardeal Pietro Parolin, principal autoridade diplomática da Santa Sé.

“(A Santa Sé) Não participará do Conselho da Paz por causa de sua natureza particular, que evidentemente não é a mesma de outros Estados”, disse Parolin.

“Uma preocupação”, afirmou, “é que, no plano internacional, quem deve, acima de tudo, gerir essas situações de crise seja a ONU. Este é um dos pontos em que temos insistido.” Concluiu

O primeiro Conselho da Paz proposto por Trump aumentou a tensão entre países, principalmente em relação aos Estados Unidos. Além de gerar reações de líderes e governos que contestam a criação do órgão e questionam seu sentido diante da existência da ONU, responsável por mediar conflitos no cenário internacional.

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