- Donald Trump voltou a rejeitar o acordo sobre as Ilhas Chagos, após o Reino Unido não permitir uso de suas bases aéreas para um ataque preventivo contra o Irã.
- O presidente dos EUA sugeriu, em rede social, que Diego Garcia poderia ser utilizado para neutralizar uma possível agressão do Irã, ligada ao programa nuclear.
- A mudança ocorre após Trump ter elogiado o acordo no início de fevereiro, chamando-o de “melhor possível” dadas as circunstâncias.
- No momento, a proposta do acordo depende do apoio americano, e o avanço no Parlamento britânico foi adiado; o texto deve retornar à Câmara dos Lordes apenas semanas depois.
- Reações políticas incluem Priti Patel afirmando que o acordo estaria “agora morto na linha d’água” sem apoio dos EUA, enquanto o governo enfatiza o processo político em curso e a segurança regional.
Donald Trump mudou de posição sobre o acordo envolvendo as Ilhas Chagos após a Grã-Bretanha se recusar a permitir o uso de suas bases para um ataque preventivo aos EUA contra o Irã. A informação foi veiculada pelo Guardian.
Em suas redes, o ex-presidente afirmou que Keir Starmer estaria cometendo um grande erro ao ceder a soberania das ilhas para Mauritius, em troca da continuidade do uso da base aérea de Diego Garcia pelas forças britânicas e norte-americanas.
Anteriormente, Trump havia criticado o pacto, considerado pelo Departamento de Estado dos EUA como o melhor acordo possível nas condições atuais. Na mensagem pública, ele vinculou o negócio a possíveis ataques contra o Irã.
Detalhes do embate diplomático
Trump sugeriu que, caso o Irã não aceite o acordo, os Estados Unidos poderiam usar Diego Garcia e a base em Fairford, na Inglaterra, para neutralizar uma eventual agressão do regime iraniano. A leitura do governo britânico aponta que esse uso violaria a lei internacional, se não houver consentimento londrino.
Fontes do governo do Reino Unido disseram que essa linha de pensamento pode ter motivado a nova mudança de posição de Trump. Na noite de terça, Starmer conversou com o presidente sobre o Irã, mas o comunicado de Downing Street não mencionou a Ilhas Chagos.
Perspectivas no Parlamento e com a oposição
Espera-se que o projeto de lei sobre o acordo retorne à Câmara dos Lordes em breve, com a agenda próxima de votações. A previsão inicial era de retorno já na próxima semana, mas ficou em atraso diante da posição dos EUA.
Um ex-funcionário do governo, que trabalhou no acordo, expressou preocupação de que o texto possa enfrentar dificuldades para avançar. O conservadorismo tem pressionado o governo a obter apoio da administração norte-americana.
Priti Patel, líder da oposição ao Governo em assuntos externos, prepara discurso em Washington na próxima semana e deve entender com autoridades americanas detalhes sobre o debate. O governo britânico reiterou que não comenta operações em andamento e manteve o foco na segurança regional, ressaltando a necessidade de cooperação com os EUA para impedir a proliferação nuclear no Irã.
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