- Aos sessenta e cinco anos, Halyna Popriadukhina já fugiu de casa três vezes desde o início da invasão russa, em fevereiro de dois mil e vinte e dois, e espera que a Ucrânia impeça o avanço.
- Um de seus filhos está desaparecido em ação e o outro pode estar sob controle das forças russas; ela perdeu a casa e o gado que sustentavam a família.
- No total, quase quatro milhões de pessoas estão deslocadas dentro da Ucrânia, além de mais de cinco milhões que buscaram refúgio na Europa.
- Donbas, região leste controlada pela Rússia, é alvo de negociações de paz apoiadas pelos EUA; o presidente Volodymyr Zelenskiy afirmou que Donbas faz parte da independência da Ucrânia.
- Autoridades humanitárias alertam que refugiados internos enfrentam dificuldades crescentes, com ajuda reduzida e orçamento sujeito a cortes.
Halyna Popriadukhina, 65, fugiu de casa pela terceira vez desde o início da invasão russa, em 2022, quando tropas avançaram pelo leste da Ucrânia. O cansaço domina, e ela teme que os próprios passos do conflito não deixem para trás a esperança de defender o território.
A habitante de Vremivka vive hoje em Dzenzelivka, no centro do país, longe da sua cidade natal. A cada deslocamento, perdeu parte da produção de sobrevivência, incluindo trabalho na fazenda que sustentava a família.
A guerra completa seu quarto ano em território ucraniano. Quase 4 milhões de pessoas tiveram deslocamento interno; mais de 5 milhões buscaram refúgio na Europa. O conflito mantém Donbas central na pauta de paz, impulsionado por negociações apoiadas pelos EUA.
Contexto regional
O Donbas, formado por Donetsk e Luhansk, está no coração das negociações para encerrar o confronto. Moscou exige ceder o que resta da região, enquanto Kiev rejeita grandes cedências, afirmando que a integração dos habitantes é essencial para a independência do país.
Popriadukhina recorda o dia 24 de fevereiro de 2022, quando os ataques começaram enquanto ela pelava vacas. Ela deixou a casa e os animais a mando de um filho, levando apenas o essencial para fugir de forma improvisada.
De retorno à região ocidental do país após alguns meses, a moradora voltou a abandonar o lar em 2023, após o avanço russo para o interior. Hoje vive em uma casa abandonada em Dzenzelivka, longe de Vremivka, ocupada pelos invasores.
O drama humano se soma ao contexto humanitário. A Norwegian Refugee Council indica que refugiados internos enfrentam maiores dificuldades devido à queda de ajuda e ao fim de economias familiares, com impactos na saúde e no aquecimento.
Despedida de uma vida antes da guerra
Popriadukhina guarda a lembrança de uma cidade marcada por uma avenida de heróis, com retratos de soldados caídos. A ausência de perspectiva de retorno rápido alimenta a sensação de perda permanente, enquanto a família lida com incertezas sobre o destino dos dois filhos.
Um dos filhos, hospitalizado em Mariupol em meio aos combates, está entre as vítimas inferidas pela imprensa e pelas autoridades, enquanto o outro, que havia seguido o caminho do filho, está listado como desaparecido desde 2023.
Estima-se que mais de 70 mil ucranianos estejam desaparecidos, entre civis e militares, segundo números de Kiev. O conflito continua sem um cronograma claro para resolução e volta às condições anteriores.
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