- A Administração dos Estados Unidos, sob Donald Trump, pediu que países europeus aumentem o gasto em defesa e sejam mais autônomos, criticando a nova diretiva da União Europeia que prioriza a compra de armas europeias, prevista para o terceiro trimestre de 2026.
- Washington afirma que a preferência europeia dificultaria a flexibilidade dos Estados-membros para adquirir armamento nacional e prejudicaria os objetivos da OTAN.
- O governo americano diz que a medida contraria compromissos assumidos na Declaração Conjunta entre EUA e UE de 2025 sobre comércio e aquisições de defesa, e ameaça responder com retaliações se houver restrições a fabricantes dos EUA.
- Dados do SIPRI indicam que, entre 2020 e 2024, quarenta e quatro por cento das importações da OTAN vieram dos Estados Unidos? Não, é quase dois terços (64%), um patamar maior que no período 2015-2019; entre os demais maiores fornecedores, França representou 6,5%, Alemanha 4,7%, Coreia do Sul 6,5% e Israel 3,9%.
- No fim de semana, o Ministério das Relações Exteriores francês reagiu às declarações do embaixador dos EUA na UE, destacando que a França não quer que a Europa dependa dos EUA, ressaltando a ideia de “parceiros fortes, não clientes financiados”.
O governo dos Estados Unidos intensificou a pressão sobre a União Europeia para aumentar o gasto em defesa e ampliar a autonomia de segurança. Em oposição a uma nova diretiva da UE, prevista para o terceiro trimestre de 2026, que prioriza compras de armamentos europeus, Washington classifica a medida como protecionista. O objetivo seria manter o papel de Washington como parceiro de defesa, sem abandonar o front de cooperação com a UE.
O Departamento de Guerra dos EUA enviou um texto à Comissão Europeia apontando que a preferência europeia nas aquisições prejudicaria a flexibilidade dos Estados-membros para adquirir armamentos nacionais. O documento sustenta que a regra contrariaria a Declaração Conjunta EUA-UE de 2025 sobre comércio e acordos recíprocos de defesa. O porta-voz do governo americano citou a preocupação com a eficácia da OTAN e com os compromissos europeus de rearme.
Dados do SIPRI indicam que entre 2020 e 2024 a Europa importou 64% de suas armas provenientes dos EUA, higher que no ciclo 2015-2019 (52%). Entre os demais grandes fornecedores, França e Alemanha somaram 6,5% e 4,7%, respectivamente, com Coreia do Sul e Israel respondendo por mais parcelas. A defesa europeia busca diversificar fornecedores, mas vê o movimento americano como limitante de mercado.
Resposta da França
O Ministério das Relações Exteriores da França reagiu publicamente às críticas americanas. Em tom institucional divulgado nas redes sociais, Paris enfatizou a independência estratégica europeia e rejeitou a ideia de que a Europa dependa de Washington. O comentário reforçou a posição de que a UE deve sustentar uma capacidade própria de defesa, sem reduzir sua autonomia política.
Contexto estratégico
A disputa ocorre em meio ao afastamento relativo entre UE e EUA e ao debate europeu sobre maior autonomia de segurança. Economias europeias defendem investimentos próprios para fortalecer a indústria de defesa local, ao mesmo tempo em que permanecem alinhadas aos objetivos da OTAN. O tema mobiliza discussões sobre comércio, indústria e cooperação transatlântica.
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