- Elliptic identifica cinco exchanges ligadas à Rússia que facilitam transações para contornar sanções ocidentais; apenas Bitpapa está formalmente sancionada.
- Transações de alto volume com entidades sancionadas continuam ocorrendo, com a Bitpapa respondendo por cerca de 9,7% das suas saídas ligadas a alvos sancionados.
- ABCeX, uma plataforma não sancionada de Moscou, já processou pelo menos US$ 11 bilhões em criptomoedas, com fluxos significativos para a Garantex e para a Aifory Pro.
- Exmo deixou o mercado russo em 2022, mas mantém vínculos operacionais; houve mais de US$ 19,5 milhões em transações entre Exmo e exchanges sancionadas como Garantex, Grinex e Chatex.
- Rapira, registrada na Geórgia, enviou mais de US$ 72 milhões para a Grinex; a Aifory Pro oferece cash-to-crypto com cartões virtuais, ligando a atividades restritas e quase US$ 2 milhões em transfers para a Abantether.
A Elliptic revelou que um grupo de exchanges de criptomoedas associadas à Rússia facilita a movimentação de fundos para além do alcance de sanções ocidentais. O relatório, divulgado no sábado, aponta cinco plataformas vinculadas ao país que permitem transações de alto volume sem a supervisão do sistema financeiro tradicional.
Segundo a análise, apenas uma dessas plataformas está formalmente sujeita a sanções. Ainda assim, várias operações grandes foram processadas envolvendo entidades restritas, com a atividade migrando entre serviços diferentes e dificultando o monitoramento.
Plataformas e ligações com sanções
Entre as plataformas examinadas, o único marketplace de peer-to-peer sancionado pela OFAC é o Bitpapa, designado em março de 2024 por evasão de sanções. A Elliptic mostrou que cerca de 9,7% das transações de saída do Bitpapa estavam ligadas a alvos sancionados, com uso frequente de endereços de carteira rotativos.
A pesquisa aponta a ABCeX, exchange não sancionada baseada no Edifício Federation Tower, em Moscou, que já abrigou a antiga Garantex. A Elliptic estima que a ABCeX movimentou pelo menos US$ 11 bilhões em criptomoedas, com transferências relevantes para a Garantex e para a Aifory Pro.
Outra plataforma é a Exmo, que afirmou ter saído do mercado russo após a invasão de 2022, vendendo operações regionais a uma entidade separada, Exmo.me. Ainda assim, a análise sugere ligações operacionais, com custodial compartilhado e carteiras ativas conjuntas. Registros indicam mais de US$ 19,5 milhões em transações entre Exmo e exchanges sancionadas como Garantex, Grinex e Chatex.
A Rapira, registrada na Geórgia e com escritório em Moscou, também foi sinalizada após ter enviado mais de US$ 72 milhões diretamente à Grantex sancionada. Relatórios indicam buscas policiais russas na empresa no final de 2025 por transferências de capital para Dubai.
A quinta plataforma, Aifory Pro, oferece serviços de câmbio de dinheiro para criptomoedas em Moscou, Dubai e Turquia. A empresa opera também cartões virtuais financiados com USDT, que permitem acesso a serviços restritos. A Elliptic rastreou quase US$ 2 milhões da Aifory Pro para a exchange iraniana Abantether.
Impactos e contexto regulatório
Pesquisadores destacam que a rede demonstra como ações de fiscalização podem deslocar atividades em vez de extingui-las. Com o fechamento da Garantex, o volume de transações aumentou em outras exchanges, segundo dados de analistas.
Chainalysis indicou que endereços ilícitos de cripto receberam recorde de US$ 154 bilhões em 2025, enquanto a TRM Labs apontou uma estimativa similar de US$ 158 bilhões. Além disso, o setor de mineração industrial na Rússia expandiu em 2024, com BitRiver e Intelion gerando juntos cerca de US$ 200 milhões em receita.
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