- Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group, afirma que o mundo deixou de ser “soft power” e entra em um ponto de inflexão, com populismo, inflação e custo de vida subindo.
- Segundo ele, os EUA e a China optaram por caminhos opostos: Pequim foca em eletrificação, enquanto Washington prioriza petróleo, gás e intervenções na região, como na Venezuela.
- Em disputa por minerais críticos, a China mantém vantagem estratégica, e a Casa Branca estaria preocupada com o poder de barganha de Pequim.
- A Europa surge como incógnita, com preocupações em liderança, economia e segurança; acordos UE-Mercosul geram cautela sobre dinamismo regional.
- Para o Brasil, o recado é explorar agro, energia e minerais críticos, atrair investimentos e ajustar a política externa para negociações mais eficazes, inclusive em data centers e nuclear.
Adriano Pires entrevista Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group, sobre mudanças na geopolítica global e o papel do Brasil. O episódio discute transformações e o uso do poder suave no cenário internacional.
Segundo Garman, o mundo vive um ponto de inflexão causado por populismo, inflação e custo de vida. Ele afirma que a ordem multilateral passa por tensões internas nos EUA e que a gestão dessa crise afeta relações internacionais.
A entrevista aponta que EUA e China adotaram caminhos opostos: Pequim investe na eletrificação, enquanto Washington enfatiza petróleo, gás e atuação na região das Américas. O debate menciona a Venezuela como exemplo de intervenção.
No campo de minerais críticos, o entrevistado sustenta que a China mantém vantagem estratégica. Ele diz que a Casa Branca subestimou a dependência dos EUA em relação à China, o que pode influenciar escolhas de política externa.
Tendências europeias e alianças
Garman vê a Europa em posição de incógnita frente aos novos ترتيب geopolíticos. Ele cita a relação UE-Mercosul e a necessidade de liderança europeia para enfrentar desafios econômicos e de segurança.
Ele sugere que o bloco pode buscar maior dinamismo via investimentos relevantes no setor bélico e em infraestrutura estratégica. A visão é de um redesenho de alianças diante de uma nova configuração de poder.
O que isso significa para o Brasil
Para o Brasil, o especialista aponta três ativos em alta demanda no cenário de hard power: agronegócio, energia e minerais críticos. A recomendação é coordenar forças, atrair investimentos e ampliar a presença em data centers e nuclear.
A proposta é ajustar a política externa para negociar melhor condições internacionais, sem recorrer ao nacionalismo que possa reduzir oportunidades no médio prazo. O foco é integração e cooperação econômica.
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