- Lula defendeu a união de países em desenvolvimento do Sul Global para mudar a lógica econômica mundial, destacando Índia, Brasil e outros.
- Sobre o Brics, o presidente disse que o bloco pode viabilizar uma nova lógica, criou um banco e pode se integrar ao G20; negou a ideia de moeda comum, defendendo o uso de moedas próprias.
- Lula reiterou a defesa do multilateralismo e da ONU, dizendo que a organização precisa ter legitimidade e eficácia para lidar com crises internacionais.
- A relação com os Estados Unidos pode avançar se houver disposição de combate ao crime organizado transnacional; Brasil quer cooperação para buscar criminosos brasileiros no exterior.
- Em viagem à Índia e Coreia do Sul, o Brasil busca fortalecer relações comerciais e investimentos, além de assinar o Plano de Ação Trienal 2026-2029 com a Coreia, para ampliar a parceria estratégica.
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Sul Global precisa atuar unido para mudar a lógica econômica mundial. A declaração ocorreu na madrugada de domingo (22), ao final de visita à Índia e antes de seguir à Coreia do Sul. O objetivo é ampliar a influência de países em desenvolvimento nas negociações internacionais.
O presidente brasileiro pediu união entre nações em desenvolvimento para enfrentar negociações com potências. Disse que países como Índia, Brasil e Austrália devem agir juntos para evitar desvantagens em acordos com potências. A ideia é somar forças para ampliar o poder de barganha.
Lula ressaltou que, segundo sua leitura, o Brics tem contribuído para uma mudança de cenário econômico global. O bloco seria ganhando relevância e poderia se integrar ao G20, com a possibilidade de avançar em formatos semelhantes a um G30. Disse ainda que não pretende criar moeda comum.
Sobre relação cambial, o presidente negou a criação de uma moeda única do Brics. A proposta é ampliar o uso de moedas nacionais em transações comerciais para reduzir dependências e custos, mesmo diante de resistências iniciais dos EUA.
O Brasil também defendeu o multilateralismo e a atuação da ONU. Lula afirmou que a organização precisa restabelecer legitimidade e eficácia para tratar de conflitos como na Venezuela, Gaza e Ucrânia, defendendo representatividade e resolução via canais multilaterais.
Em relação aos Estados Unidos, Lula apontou que parcerias são desejáveis se houver interesse americano em combater o crime transnacional. A PF brasileira manteria a cooperação, inclusive para compartilhar criminosos quando possível, desde que haja cooperação efetiva.
O presidente reforçou que a região da América do Sul e Caribe merece relação respeitosa com o bloco norte-americano, destacando o Pacífico como área sem indicativos de armamento nuclear. Lula citou ainda o possível encontro com Donald Trump para discutir o papel dos EUA na região.
Na agenda com escritores e empresários indianos, Lula destacou sinais positivos de interesse de investidores no Brasil. Também reiterou abertura para exploração de minerais críticos e terras raras, desde que haja transformação produtiva no país, com maior valor agregado.
Lula embarcou para a Coreia do Sul, com chegada prevista a Seul, a convite do presidente Lee Jae Myung. O roteiro incluirá a assinatura de um Plano de Ação Trienal 2026-2029, visando elevar o relacionamento a uma parceria estratégica entre Brasil e Coreia do Sul.
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