- O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, deu prazo até sexta-feira para a Anthropic liberar o uso de Claude pelo Exército, sob risco de sanções e classificação como risco à cadeia de suprimentos.
- A Anthropic proíbe uso da IA para violência; a empresa cita preocupações éticas com uso governamental irrestrito, incluindo drones autônomos e vigilância de dissidências.
- A reunião no Pentágono ocorreu após o governo ter usado a ferramenta Claude em operações que resultaram na captura de Nicolás Maduro, segundo reportagens.
- O governo Trump pode recorrer à Lei de Produção de Defesa para ampliar o uso da tecnologia pela defesa, mesmo sem aprovação da empresa, caso classifique Anthropic como risco à segurança nacional.
- A Anthropic é uma das quatro empresas com contratos do Pentágono para redes classificadas, ao lado de Google, OpenAI e xAI; a disputa evidencia o debate sobre IA na segurança nacional.
O governo do ex-presidente Trump autorizou uma pressão firme para que a Anthropic libere o uso de sua IA Claude pelo Exército dos EUA. O secretário de Guerra, Pete Hegseth, deu prazo até sexta-feira (27) para a liberação, sob a ameaça de retirar contratos e enquadrar a empresa como risco da cadeia de suprimentos.
A Anthropic afirma que não permite uso da IA para fins de violência. O CEO Dario Amodei já sinalizou preocupações éticas quanto a aplicações militares irrestritas, incluindo drones autônomos e vigilância em massa assistida por IA.
O Claude foi utilizado pelo Exército numa operação associada à captura do ditador Nicolás Maduro, segundo reportagens recentes. A empresa mantém a posição de que o uso legal e responsável depende de diretrizes claras.
Impasse entre governo e Anthropic
O governo encaminha a possibilidade de classificar a Anthropic como risco à segurança nacional, com restrições de importação, inelegibilidade a licitações e restrições setoriais. A medida poderia incluir a aplicação da Lei de Produção de Defesa para ampliar autoridade militar sobre o uso da ferramenta.
Conforme apurado pela Associated Press, o Pentágono poderia avançar com uma oferta vinculante para o uso do Claude pelo Exército, mesmo sem o aval da empresa. Fontes próximas ao governo relataram uma linha firme de negociação.
A Anthropic já é alvo de uma recente decisão para ampliar o acesso a redes classificadas, ao lado de Google, OpenAI e xAI, em contratos que somam até US$ 200 milhões cada. A empresa foi a primeira a obter aprovação nessa área, com parcerias como a Palantir.
Visão de defesa e ética
Hegseth defende que sistemas de IA militares operem sem restrições ideológicas. Em reunião no Pentágono, Amodei reiterou que duas linhas vermelhas permanecem: operações de mira autônoma e vigilância doméstica de cidadãos. O tom da reunião foi descrito como cordial pelos participantes.
O Pentágono sustenta que as operações militares exigem ferramentas sem bloqueios éticos impostos pela empresa, que julga ser responsabilidade das forças armadas a aplicação legal das tecnologias. Nesta semana, a agência descreveu uma oferta final para facilitar o uso pelo Exército.
O debate expõe tensões sobre o papel da IA na segurança nacional, incluindo preocupações sobre uso em contextos de força letal, manejo de informações sensíveis e vigilância governamental. A discussão ocorre em meio a ataques ao que o governo classifica como cultura woke nas Forças Armadas.
Panorama e próximos passos
A Anthropic reforçou sua postura de foco em segurança desde a fundação, em 2021. Analistas avaliam que o impasse pode influenciar a adoção de IA pelo departamento, diante de concorrentes que já aceitaram políticas de uso amplo para aplicações legais.
Especialistas lembram a necessidade de supervisão legislativa diante de avanços rápidos na IA, principalmente se houver uso para monitoramento de dissidência ou ações militares. A discussão continua a depender de negociações entre o governo e a Anthropic.
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