- Nurul Amin Shah Alam, refugiado rohinyá de 56 anos quase cego, foi detido e liberado pela Patrulha de Fronteira em Buffalo, Nova York.
- Seu corpo foi encontrado na noite de terça-feira em uma rua no centro da cidade; havia sido liberado na quinta anterior em uma cafeteria Tim Hortons, a oito quilômetros de casa.
- A família e o advogado não foram avisados para buscar Shah Alam após a libertação.
- A prefeitura informou que a morte foi causada por um problema de saúde, descartando homicídio, e a investigação sobre as circunstâncias continua.
- Shah Alam chegou aos Estados Unidos como refugiado em 24 de dezembro de 2024; esteve preso em 2025 por uma acusação de arrombamento e posse de arma, declarou culpa por uma falta leve para evitar a entrega ao ICE, e foi colocado em liberdade em 19 de fevereiro após pagamento de fiança.
A morte de Nurul Amin Shah Alam, refugiado rohingya de 56 anos, transformou-se em símbolo de um debate mais amplo sobre imigração e responsabilidade do Estado nos Estados Unidos.
Shah Alam, natural de Myanmar foi encontrado morto na noite de terça-feira (24), em uma rua do centro de Buffalo, no Estado de Nova York. Dias antes, havia sido liberado por agentes da Patrulha de Fronteira dos EUA (CBP) após uma detenção considerada equivocada.
Entenda o caso
Segundo autoridades locais, Shah Alam havia sido solto do Centro de Detenção do Condado de Erie e, na sequência, abordado por agentes federais. Após constatarem que ele não deveria permanecer sob custódia, os agentes o deixaram em uma cafeteria da rede Tim Hortons, no bairro Black Rock, a cerca de oito quilômetros de sua casa, onde morava com a esposa e dois filhos.
Ele foi visto pela última vez por volta das 20h do dia 19 de fevereiro. Como não retornou para casa, a família iniciou buscas e registrou o desaparecimento. Inicialmente, havia a suposição de que ele estivesse sob custódia do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE), o que atrasou a mobilização das buscas.
O corpo foi localizado quase uma semana depois, por volta das 20h30 de terça-feira, após denúncia à polícia.
Vulnerabilidade e controvérsia
O médico legista do condado de Erie informou que a morte foi classificada como decorrente de causa relacionada à saúde, sem indícios de homicídio. Ainda assim, as circunstâncias seguem sob investigação.
O caso ganhou repercussão porque Shah Alam tinha deficiência visual severa, era completamente cego de um olho e possuía visão bastante limitada no outro. Além disso, não falava inglês. Segundo o advogado de defesa, ele também dependia de uma bengala improvisada para se locomover.
O prefeito de Buffalo, Sean Ryan, afirmou que a morte era “evitável” e criticou decisões associadas à política migratória federal. Para ele, o episódio expõe falhas na condução de casos envolvendo pessoas em situação de extrema vulnerabilidade.
A Patrulha de Fronteira, por sua vez, declarou que ofereceu “transporte de cortesia” e que o homem não apresentava sinais aparentes de sofrimento ou necessidade de assistência especial no momento da liberação. A família afirma que não foi notificada.
Histórico recente
Shah Alam havia chegado aos Estados Unidos como refugiado na véspera de Natal de 2024. Antes da morte, enfrentava um processo judicial no condado de Erie após um episódio em que se perdeu durante uma caminhada e entrou na varanda de uma residência. Ele utilizava um varão de cortina como bengala. O caso resultou em acusações de invasão de propriedade e porte de arma.
Para evitar a transferência para custódia migratória, ele aceitou um acordo judicial e declarou-se culpado de uma infração menor, o que permitiu sua liberação sob fiança.
Um caso que amplia o debate
A morte de Shah Alam ocorre em meio a discussões intensas sobre a política de imigração nos Estados Unidos, o uso de centros de detenção e o tratamento dado a refugiados e solicitantes de asilo. Organizações de direitos humanos e lideranças comunitárias questionam protocolos de liberação, comunicação com familiares e avaliação de condições médicas ou limitações físicas.
Para a comunidade rohingya e defensores de refugiados, o episódio representa não apenas uma tragédia individual, mas um alerta sobre como falhas administrativas podem ter consequências irreversíveis.
Shah Alam deixa esposa e dois filhos. A família cobra esclarecimentos completos sobre o que ocorreu entre sua liberação e a noite em que foi encontrado morto, um intervalo que, para muitos, permanece cheio de perguntas.
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