- O Paquistão lançou ataques aéreos em grandes cidades do Afeganistão durante a noite, mirandopostos, quartéis e depósitos de suprimentos do Talibã ao longo da fronteira, após um ataque afegão a forças paquistanesas.
- Ambos os lados relatam pesadas perdas; o ministro da Defesa paquistanês chamou a escalada de “guerra aberta”.
- Os confrontos ocorrem meses após confrontos fronteiriços que, em outubro, deixaram dezenas de mortos e fizeram uma trégua frágil ser negociada por mediadores regionais.
- Islamabad acusa o Taliban de abrigar o Tehreek-e-Taliban Pakistan e outros insurgentes; Cabul nega permitir que militantes usem o território para atacar o Paquistão.
- Analistas dizem que o Paquistão tende a intensificar a campanha militar, enquanto Cabul pode responder com investidas em postos de fronteira e ataques de guerrilha.
Aviram-se ataques aéreos do Paquistão contra cidades afegãs, segundo autoridades de Islamabad e Kabul, aumentando o confronto entre os dois países. As operações atingiram postos militares, quartéis e depósitos de armas ao longo da fronteira, em resposta a uma ofensiva afegã contra tropas paquistanesas. O governo paquistanês classificou o episódio como parte de uma guerra aberta.
As forças paquistanesas realizaram ataques aéreos e terrestres em várias áreas fronteiriças, atingindo alvos talibãs. O governo afegão confirmou retalição, com confrontos intensos nas ações de retaliação de ambos os lados. Fontes oficiais indicam perdas significativas de ambos os lados.
O episódio ocorre após ataques aéreos paquistaneses no fim de semana anterior, que teriam sido direcionados a militantes no Afeganistão. Em outubro, clashes entre as duas Nações provocaram dezenas de mortes de soldados, até que negociações mediadas por terceiros estabeleceram um cessar-fogo frágil.
Contexto das tensões
Islamabad apoiou a ascensão do Taliban em 2021, mas passou a cobrar maior cooperação contra insurgentes. Islamabad afirma que o Tehreek-e-Taliban Pakistan reina em território afegão e que insurgentes balcôs usam o Afeganistão como refúgio. Cabul nega abrigar ataques contra o Paquistão.
O Taliban afegão acusa o Paquistão de abrigar combatentes do Estado Islâmico, uma alegação reiterada por Islamabad, que sustenta que o cessar-fogo não resistiu às hostilidades contínuas. O comércio e o movimento na fronteira têm sido afetados por repetidas interrupções.
O que pode acontecer a seguir
Analistas dizem que o Paquistão deve intensificar sua campanha militar, enquanto Kabul pode ampliar incursões em postos fronteiriços e ataques de guerrilha cross-border para atingir forças de segurança. As forças paquistanesas contam com grande maioria de efetivo e arsenal superior ao do Taliban.
A força militar do Paquistão é estimada em mais de 600 mil militares ativos, com milhares de veículos blindados e centenas de aeronaves. O Afeganistão, com menos de um terço do efetivo paquistanês, dispõe de aeronaves, mas a condição de várias está incerta. A potência nuclear permanece de parte paquistanesa.
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