- Luxemburgo, o país mais rico da União Europeia, registra elevada pobreza entre trabalhadores, com 13,4% em situação de risco.
- O custo de vida alto, sobretudo aluguel, faz 230 mil trabalhadores, ou 47% da força de trabalho de 680 mil habitantes, vir de países vizinhos como Bélgica, França e Alemanha; há também luxemburgueses afetados pelo encarecimento da moradia.
- A ONG La voix de la rue atende, em média, 450 pessoas por dia, com aumento de 50 mil para mais de 100 mil almoços por ano desde 2015.
- O perfil dos beneficiários mudou: hoje há mais trabalhadores pobres, mães solteiras e aposentados cujas pensões não são suficientes para viver com dignidade.
- Debate sobre habitação, mendicidade e pobreza permanece; Eurofund aponta que a crise de moradia é problema europeu, alimentando desigualdade e tensões sociais no país.
Cada manhã, milhares de trabalhadores cruzam a fronteira para atuar em Luxembourg, país com a maior renda per capita da União Europeia. A riqueza contrasta com uma parcela da população cuja pobreza não aparece nas estatísticas oficiais de forma direta.
Entre quem busca apoio, há uma idosa francesa de 67 anos, Madame Moufida, que vive com 300 euros por mês devido a um atraso na pensão. Ela usa o comedor social da ONG La Voix de la Rue para comer e ter acesso a serviços básicos.
Jhoana Rojas, de 46 anos, advogada que trabalha como diarista, também recorre ao local. Ela relata que o custo de vida é alto, mas não se considera pobre; sobram apenas recursos suficientes para o dia a dia.
O que acontece no comedor social
O símbolo de 0,50 euro é apenas simbólico: quem não pode pagar recebe o serviço normalmente. No complexo, há lavanderia, roupas, duchas, atendimento médico e assistência social gratuitos.
O cardápio de fevereiro inclui arroz com frango ou salsichas. Em meio a filas, convivem pessoas sem-teto, trabalhadores com contratos precários ou em trabalho informal, além de refugiadas ucranianas que se cumprimentam antes de se sentarem.
Quem está envolvido e por quê
Em média, cerca de 450 pessoas recorrem à La Voix de la Rue por dia. A ONG administra mais de um centro, observando mudanças no perfil dos beneficiários ao longo dos anos.
A instituição aponta que, nos últimos anos, aumentou o contingente de trabalhadores pobres, incluindo mães solo e aposentados com pensões insuficientes. O fenômeno reflete o peso da habitação cara no país.
Evidências da desigualdade no país
Luxemburgo concentra 13,4% de trabalhadores em risco de pobreza, a maior fatia da UE. O aluguel elevado absorve parcela expressiva da renda, ampliando desigualdades entre trabalhadores de diferentes origens.
Autoridades e analistas destacam que a moradia cara afeta também a permanência de moradores de origem local. A deputada Djuna Bernard ressalta que a habitação impede a atratividade de Luxemburgo para trabalhadores.
Perspectivas e contexto europeu
Marc Angel lembra que a pobreza não é problema local isolado, mas tema europeu. Eurofound aponta o peso da habitação na distribuição de renda e na ascensão de desigualdades, com impactos na classe média em toda a região.
A pobreza é tema sensível para políticas públicas, que buscam equilibrar salários elevados com custo de vida acessível, especialmente em habitação social.
Repercussões locais e políticas públicas
O governo luxemburguês tem enfatizado moradia social para reduzir o impacto da renda alta nos custos de vida. O objetivo é evitar que trabalhadores paguem quase tudo com aluguel, mantendo a força de trabalho necessária.
Em Fortaleza de comércio central, o debate sobre mendicidade permanece vigente. Em 2024, a prefeitura restringiu pedir nas ruas, sob críticas de que a medida desloca o problema para regiões menos preparadas.
O que se sabe sobre o dia a dia
Em Luxemburgo, muitos trabalham com salários baixos ou contratos temporários, em meio a um mercado de trabalho com forte presença de fronteiriços. A vida cotidiana revela uma realidade de custo elevado e pressão por moradia estável.
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