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Mulheres em risco: cortes do Taliban afetam saúde no Afeganistão, alerta ONU

Talibã restringe atendimento de saúde a afegãs, negando emergências e exigindo acompanhante masculino, com médicos do sexo masculino, elevando riscos à vida

Aftermath of deadly earthquake in Afghanistan
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  • Ações do Taliban dificultam atendimento a mulheres e crianças, com restrições que podem negar tratamento emergencial.
  • Regras exigem que mulheres doentes ou feridas cumpram código de vestimenta, sejam acompanhadas por um guardião masculino e atendidas por médicos homens.
  • Em alguns casos, mulheres são negadas ambulâncias sem um guardião; há relatos de parto no portão do hospital e de crianças que não puderam viajar sem companhia masculina.
  • Autoridades do Talibã dizem respeitar direitos das mulheres, mas a ONU destaca que há um sistema institucional de discriminação de gênero que afeta saúde, autonomia e futuro das mulheres.
  • O relatório aponta queda no número de médicas, devido a proibição de educação médica para mulheres, o que compromete o atendimento futuro a pacientes do sexo feminino.

O especialista da ONU em direitos humanos alertou que as restrições impostas pelo Taliban colocam em risco a vida de mulheres e crianças em Afeganistão. Em relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, ele descreve casos em que o atendimento emergencial é negado. O risco aumenta em situações críticas.

Segundo o Relator Especial Richard Bennett, mulheres doentes ou feridas devem seguir regras de vestimenta, ser acompanhadas por um guardião masculino e serem atendidas apenas por médicos homens. Em muitos casos, o serviço de ambulância também é recusado sem a presença de um guardião.

O relatório, enviado à ONU nesta semana, traz exemplos de situações extremas: uma mulher deu à luz na porta do hospital por estar desacompanhada; outra perdeu o filho de quatro anos por não poder viajar sozinha com ele. Bennett afirmou que as políticas atuais constituem um sistema institucionalizado de discriminação de gênero.

Contexto e impactos no sistema de saúde

Bennett afirmou ter compartilhado o relatório com autoridades do Taliban e solicitado resposta, sem obter retorno. O Taliban sustenta que respeita os direitos das mulheres conforme sua leitura da lei islâmica. A educação de meninas foi restringida desde 2021, reduzindo o número de profissionais de saúde mulheres no futuro.

Dados de 2024 indicam que cerca de um quarto dos trabalhadores da saúde no país eram mulheres. A proibição de formação médica para elas compromete o fluxo de profissionais, agravando a segregação de gênero nas políticas de atendimento, disse o relator.

O material cita riscos crescentes de mortalidade materna e infantil, caso as restrições permaneçam. Suraya Dalil, ex-ministra da Saúde, expressou preocupação com aumentos esperados de mortes maternas e infantis nos próximos anos, diante das limitações impostas à força de trabalho de saúde.

A ONU reiterou que as políticas atuais colocam o sistema de saúde em perigo e pedem reversão para evitar sofrimento, adoecimento e mortes desnecessárias. As informações são baseadas no relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos.

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