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Paquistão bombardeia Cabul e fala em “guerra aberta” contra o Afeganistão

Escalada inclui ataques aéreos em três regiões, troca de acusações sobre terrorismo e relatos de drones.

Foto: Creative Commons

O Paquistão declarou que entrou em “guerra aberta” com o Afeganistão após uma nova rodada de ataques aéreos e confrontos na fronteira.  Segundo o governo paquistanês, a ofensiva atingiu alvos em Cabul e nas províncias de Kandahar e Paktia. A ação recebeu o nome de Operação Ghazab lil Haq e que Islamabad disse ter reagido […]

O Paquistão declarou que entrou em “guerra aberta” com o Afeganistão após uma nova rodada de ataques aéreos e confrontos na fronteira. 

Segundo o governo paquistanês, a ofensiva atingiu alvos em Cabul e nas províncias de Kandahar e Paktia. A ação recebeu o nome de Operação Ghazab lil Haq e que Islamabad disse ter reagido a disparos “não provocados” vindos do outro lado da fronteira.

Pelo lado paquistanês, o ministro da Defesa Khawaja Muhammad Asif afirmou publicamente que “agora é guerra aberta entre nós”, em meio ao aumento das hostilidades. 

O que aconteceu até aqui

  • Ataques em cidades afegãs: Os ataques aéreos foram lançados contra alvos militares associados ao governo Talibã, com explosões registradas em Cabul.
  • Resposta do Talibã: O governo do Talibã confirmou combates e disse ter conduzido operações ofensivas contra posições paquistanesas na fronteira.
  • Drones entram no jogo: autoridades afegãs afirmaram ter usado drones contra posições do Paquistão, algo que Islamabad negou, dizendo ter interceptado os equipamentos. 

Mortes e versões que não batem

Os números divulgados pelos dois lados divergem e, até agora, não há checagem independente.

A VEJA relata que o ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, falou em 133 mortos e mais de 200 feridos do lado afegão, e em dois soldados paquistaneses mortos.

Já a Reuters reportou que o Paquistão elevou a conta e afirmou que os ataques mataram 274 do lado afegão, além de mencionar 12 soldados paquistaneses mortos. A agência destaca que não foi possível verificar os números de forma independente.

Do lado afegão, a versão apresentada à imprensa é outra: o Talibã diz que 55 militares do Paquistão teriam morrido e que postos na fronteira foram atacados e tomados. O Paquistão contesta essa narrativa.

Por que isso explodiu agora

O centro da crise é a acusação paquistanesa de que o Afeganistão abriga militantes do TTP, o Tehreek e Taliban Pakistan, conhecido como Talibã paquistanês. Islamabad afirma que o grupo cruza a fronteira para atacar forças de segurança e depois volta a se esconder em território afegão. O Talibã nega.

A escalada atual tem peso extra porque, segundo analistas citados na reportagem, desta vez o Paquistão não estaria mirando apenas áreas remotas, mas também alvos associados ao governo talibã em centros urbanos, como Cabul.

A Linha Durand, a fronteira que nunca deixou de ser ferida aberta

Boa parte dos confrontos acontecem ao longo da chamada Linha Durand, a fronteira entre Afeganistão e Paquistão, com cerca de 2.600 km. 

Ela foi definida no fim do século XIX, ainda no contexto do Império Britânico, e segue contestada por governos afegãos ao longo da história, o que ajuda a manter a região sob tensão permanente.

Civis no meio do fogo cruzado

Os impactos em áreas civis e relatos envolvem um campo de refugiados perto da região de Torkham, com pessoas feridas, incluindo mulheres e crianças, em meio a trocas de fogo e bombardeios.

Dias antes, a ONU já havia apontado mortes de civis em ataques anteriores e, diante da escalada, o chefe de direitos humanos da organização, Volker Türk, pediu diálogo urgente e proteção de civis.

Pressão internacional e risco de nova escalada

A reação externa veio com apelos por contenção e sinais de tentativa de mediação. Rússia, China e Arábia Saudita passaram a se movimentar nos bastidores e, segundo a Reuters, há esforços diplomáticos para evitar que o confronto se transforme em uma crise regional ainda maior.

O cenário é instável porque, além do histórico de acusações mútuas de “exportar terrorismo”, há um dado que pesa no cálculo dos dois lados: negociações anteriores não se sustentaram e cessar fogos recentes já tinham desmoronado, segundo AP e VEJA.

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