- O ministro ucraniano de Relações Exteriores disse que pelo menos 1.780 jovens africanos de 36 países lutam nas fileiras do exército russo na guerra contra a Ucrânia, conforme um relatório da organização Inpact que aponta redes de recrutamento via internet coordenadas pelo FSB.
- Segundo o estudo, muitos buscavam estudar ou conseguir emprego bem remunerado na Rússia e acabaram forçados a lutar; o relatório descreve casos de recrutamento em que o candidato era levado direto ao front, com pouca chance de saída.
- Entre 2023 e 2025, a Inpact registra 1.417 recrutados de 35 países africanos e 316 mortes; a maioria dos óbitos ocorreu entre quem já estava no front há pouco tempo.
- Os principais países de origem são Egito, Camarões e Gana, seguidos por Argélia, Gâmbia, Mali, Quênia, Nigéria e África do Sul.
- Casos notórios e ações oficiais destacam a extensão do problema: Camarões já alertou sobre deserções; nações como Quênia e Gana tomaram medidas contra redes de recrutamento e pedem a liberação de cidadãos capturados combatendo pelo lado russo.
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia informou que pelo menos 1.780 jovens africanos, de 36 países, combatem hoje nas filas do Exército russo na guerra da Ucrânia. A cifra resulta de dados apresentados nesta quarta-feira por Kiev.
Segundo o governo ucraniano, muitos desses jovens viajaram para a Rússia buscando estudo ou emprego, mas acabaram recrutados para o conflito. Abalos de recrutamento teriam ocorrido por meio de redes online coordenadas pelo Serviço Federal de Segurança russo, segundo a organização de pesquisa Inpact.
A Inpact aponta que o recrutamento não é isolado: trata-se de uma estratégia organizada, com relatos de promessas de salários altos, vistos rápidos e até cidadania russa após meses de serviço. Em 2023-2025, teriam entrado no radar 1.417 cidadãos de 35 países africanos, com 316 já mortos.
Contexto e perfis de recrutamento
Egito, Camarões e Ghana aparecem entre os maiores fornecedores de recrutas, seguidos por Argélia, Gâmbia, Mali, Quênia, Nigéria e África do Sul. A maioria é atraída por condições financeiras que não encontram em seus países de origem, ou é forçada a assinar contratos após chegar à Rússia.
Relatos de vítimas indicam que o serviço militar pode durar pouco tempo; a média de quem morreu em combate seria de seis meses, com casos de contratos assinados pouco antes do falecimento. Em Camarões, o governo já havia alertado sobre deserções para a Rússia.
Casos e desdobramentos regionais
Casos individuais ilustram o cenário: Malick Diop, senegalês de 25 anos, recebeu uma bolsa para estudar na Rússia, foi encaminhado para a brigada de cozinha e, em 2025, recebeu arma e foi enviado ao front, onde foi capturado. Lamin Yatta, de Gâmbia, chegou a Bielorrúsia com visto estudantil, foi recrutado na Rússia e declarado morto em 2024.
A cidade de Kiev tem acompanhado pedidos de liberação de cidadãos de Ghana capturados em combate, enquanto o Ghana estendeu apelos oficiais ao governo ucraniano. Em outros países africanos, autoridades investigam redes de emigração clandestina e intermediários que facilitam o recrutamento.
Impacto e respostas oficiais
A rede de recrutamento preocupa governos africanos, que veem aumento de casos na região. Em África, países como Togo e Kenia já relataram ações para desarticular redes ligadas ao recrutamento para a Rússia, com detenções e alertas às populações estudantis.
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