- Rachida Dati renunciou ao cargo de ministra da Cultura para se dedicar à campanha pela prefeitura de Paris, com eleições marcadas para 15 e 22 de março.
- A candidata dos Republicanos ganhou visibilidade ao visitar acampamentos de moradores de rua em París, destacando ações junto a quem vive em condições vulneráveis.
- Pesquisas apontam empate técnico, com Emmanuel Grégoire (Partido Socialista) com cerca de 32% e Dati com aproximadamente 30% de intenção de voto, crescendo nas últimas semanas.
- Dati enfrenta múltiplas pendências judiciais, incluindo suspeitas de corrupção passiva e tráfico de influência no caso Renault, com julgamento previsto para setembro.
- A ex-ministra, que também é prefeita do 7º distrito de Paris, tem histórico de controvérsias e já enfrentou críticas por seu estilo e por não declarar parte de joias, entre outros episódios.
Rachida Dati, candidata à prefeitura de Paris pelo grupo Los Republicanos, anunciou nesta semana sua saída do cargo de ministra da Cultura para concentrar-se na campanha municipal de março. A decisão ocorre diante das próximas votações de 15 e 22 de março e do novo ciclo eleitoral.
O movimento aconteceu após meses de campanha paralela, com visitas a áreas vulneráveis da capital. Em vídeos publicados, Dati aparece em um túnel do centro de Paris entre tendas de moradores de rua, afirmando apoiar pessoas invisíveis e abandonadas, e pedindo discrição sobre seus contatos com o público.
Antes de renunciar, Dati já havia feito visitas a acampamentos ao longo do Sena e em outras áreas da cidade, ressaltando que há trabalhadores que vivem na rua. Ela também se reuniu com livreiros e participou de ações públicas, buscando retratar uma Paris mais “segura e limpa”.
A ex-ministra ocupa hoje o cargo de prefeita do 7º arrondissement, um dos distritos mais ricos da capital. Sua trajetória inclui passagens pelos ministérios da Justiça (2007-2009) e da Cultura (desde 2024), além de uma carreira marcada por polêmicas e forte exposição midiática.
No contexto eleitoral, a disputa em Paris está acirrada. Segundo pesquisas, o candidato socialista Emmanuel Grégoire aparece com cerca de 32% das intenções de voto, enquanto Dati registra aproximadamente 30% e mostra grande mobilidade nas últimas semanas. A ex-ministra encara o desafio de suceder a socialista Anne Hidalgo.
Entre os temas que cercam a liderança de Dati estão críticas sobre o conteúdo de sua gestão como ministra e questões judiciais. Ela é investigada em um caso de corrupção envolvendo Renault, com possível envolvimento em pagamento por consultoria entre 2010 e 2012. Além disso, há questionamentos sobre a declaração de uma extensa coleção de joias.
Outra frente envolve a reforma de um consórcio público de mídia, que inclui France Télévisions, Radio France e o Institut National de l’Audiovisuel, proposta pela ex-ministra. Em paralelo, surgem debates sobre transparência e declarações patrimoniais, com foco em ativos não declarados.
Nesta quinta-feira, já na condição de candidata, Dati acusou seu oponente de “racismo social” e recusou um debate televisivo, segundo reportagens locais. Em atividades recentes, ela abandonou o uso frequente de joias, optando por roupas simples, e manteve uma postura de contato direto com moradores de rua.
Como parte da agenda, Dati propõe transformar Paris em uma cidade mais segura e limpa, com ações integradas entre governo municipal, comércio local e associações. Casos relacionados à corrupção continuarão a tramitar, com julgamento agendado para setembro, após a eleição municipal.
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