- O Louvre viveu dois escândalos recentes: vazamento de aquecimento danificou uma pintura de Charles Meynier e houve uma fraude de ingressos que pode ter desviado até US$ 12 milhões.
- Nove pessoas foram presas, incluindo dois funcionários do museu, guias turísticos e o possível mentor do esquema, ligado a uso de ingressos antigos com visitantes novos.
- O dinheiro desviado teria ido para imóveis na França e em Dubai; foram apreendidos mais de € 957.000 em dinheiro.
- A investigação começou há mais de um ano, após denúncias de dois guias chineses que traziam até 20 grupos por dia, com outros guias sendo incluídos posteriormente.
- A presidente Laurence des Cars deixou o cargo; o comando do Louvre passa a ser do escritor Christophe Leribault, e a crise acentuou críticas à segurança e à checagem de ingressos online.
Dias atrás, o Louvre viveu dois novos escândalos que abalaram sua gestão. Um vazamento no sistema de aquecimento danificou uma pintura de teto do século XIX de Charles Meynier. Em seguida, veio à tona um esquema de reutilização de ingressos que pode ter desviado milhões de dólares.
Nove indivíduos foram presos pela polícia francesa, sob acusação de integrar uma organização criminosa dedicada à fraude de ingressos ao longo de uma década. Entre os detidos estão dois funcionários do museu, guias turísticos e um suposto mentor do esquema.
As investigações indicam que o grupo utilizava ingressos antigos como se fossem novos, facilitando a entrada de grandes grupos de turistas com a anuência de funcionários do Louvre. Suspeita-se ainda de segmentar visitas para evitar taxas adicionais.
Fraudes de ingresso no Louvre
Segundo a polícia, o esquema envolvia documentos falsos, corrupção e lavagem de dinheiro. Parte dos recursos desviados teria sido encaminhada para outros países, com parte destinada à aquisição de imóveis na França e em Dubai. Ao todo, foram apreendidos mais de € 957.000 em dinheiro.
O caso levou à queda da presidente Laurence des Cars, que já havia enfrentado resistência a renúncias anteriores. Em 2021, ela reconheceu falhas na segurança após o roubo de joias e apontou situação inadequada de cobertura de câmeras externas.
Christophe Leribault foi indicado como novo presidente do Louvre, vindo do cargo de diretor no Palácio de Versailles. A transição ocorre em meio aos desdobramentos da fraude de ingressos e do vazamento de Meynier.
Vazamento e danos à obra de Meynier
O vazamento na sala 707, conhecida como sala Duchâtel, ocorreu durante o aquecimento de áreas próximas a obras dos séculos XV e XVI. O incidente foi contido em 40 minutos, e apenas a pintura Le Triomphe de la peinture française: apothéose de Poussin, de Meynier, teve danos.
No dia seguinte, um restaurador avaliou a área e verificou dois rasgos, com descolamento de camada de tinta. O museu informou que as circunstâncias do vazamento já estão sob apuração, sem indicar impactos maiores para o acervo.
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