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ONU alerta que 200 mil crianças afegãs enfrentarão desnutrição aguda em 2026

3,7 milhões de crianças afegãs poderão enfrentar a fome em 2026.

An Afghan girl looks at the doctor as he measures her upper arm at the WFP-supported Qasaba Clinic, after an increase in malnutrition cases following the return of deported Afghans, in Kabul, Afghanistan, January 7, 2026.
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  • Nações Unidas alertam que duzentas mil crianças afegãs a mais enfrentarão desnutrição aguda em 2026, em meio a crise alimentar agravada por cortes de ajuda internacional e violência na fronteira com o Paquistão.
  • O Programa Mundial de Alimentos informou que cerca de 3,7 milhões de crianças precisarão de tratamento contra a desnutrição neste ano.
  • Cortes de financiamento significam que a organização tem recursos para tratar apenas um em cada quatro crianças que necessitam de tratamento.
  • Muitas crianças não conseguem chegar a clínicas, com regiões remotas ilhadas pela neve; autoridades sinalizam risco de aumento de mortes durante o inverno.
  • Políticas de expulsão em Paquistão e Irã resultaram em mais de cinco milhões de retornados desde 2023, aumentando a pressão sobre recursos e dificultando o acesso a serviços de saúde.

O Afeganistão enfrenta hoje uma crise aguda que coloca em risco a vida de centenas de milhares de crianças. Segundo um alerta urgente emitido pelo Programa Alimentar Mundial (WFP) da ONU nesta terça-feira, a combinação de cortes severos na ajuda internacional, conflitos de fronteira e o rigor do inverno afegão criou um cenário de desnutrição aguda sem precedentes recentes.

O “Gargalo” da Ajuda Humanitária

O dado mais alarmante revelado pela agência em Genebra diz respeito à capacidade de resposta. Estima-se que 3,7 milhões de crianças precisarão de tratamento contra a desnutrição em 2026. No entanto, devido à escassez de financiamento global, a ONU possui recursos para socorrer apenas uma em cada quatro dessas crianças.

“Estamos diante de uma escolha impossível: decidir quem recebe o tratamento vital e quem fica sem assistência”, afirmou John Aylieff, diretor do WFP no país.

O Bloqueio Geográfico e o “Inimigo Branco”

Para além da falta de dinheiro, existe um obstáculo físico: o clima. No Afeganistão, muitas comunidades dependem de clínicas móveis — unidades de saúde que viajam até vilarejos remotos.

  • O isolamento: Nas regiões de alta altitude, a neve pesada bloqueia as estradas, impedindo que essas clínicas cheguem aos pacientes.

  • O risco invisível: O temor da ONU é que o fim do inverno, entre março e abril, revele uma tragédia silenciosa. Quando a neve derrete e o acesso é retomado, equipes médicas costumam encontrar um alto índice de óbitos infantis ocorridos dentro das casas, longe de qualquer registro oficial.

Por que a crise se agravou agora?

Para entender a gravidade atual, é preciso observar três fatores que pressionam o país simultaneamente:

  • Cortes desde 2021: Após a mudança de regime no Afeganistão, o fluxo de ajuda internacional — que sustentava a economia e a saúde — sofreu quedas drásticas.
  • Crise de Refugiados: Paquistão e Irã endureceram suas políticas de migração, forçando o retorno de mais de 5 milhões de afegãos desde 2023. Essas famílias retornam para um país já desabastecido.
  • Tensões na Fronteira: Confrontos recentes entre tropas afegãs e paquistanesas suspenderam serviços essenciais justamente nas rotas por onde os refugiados tentam restabelecer suas vidas.

Perspectiva de Urgência

A desnutrição não é apenas a falta de comida; ela desativa o sistema imunológico, tornando doenças comuns, como o resfriado, letais para crianças enfraquecidas pelo frio. Sem um reforço imediato de recursos e a abertura de corredores humanitários seguros nas zonas de conflito, o WFP teme que o próximo degelo traga consigo o balanço de uma geração perdida.

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