- A junta de Myanmar anunciou um sistema de racionamento de combustível para veículos privados, citando interrupções na cadeia global de suprimentos de energia causadas por hostilidades no Oriente Médio.
- O esquema “par” prevê licenciamento: placas pares podem circular em dias pares e placas ímpares em dias ímpares; veículos elétricos ficam isentos.
- O Conselho de Defesa e Segurança Nacional alertou empresas e pessoas para não realizar estoque técnico ou revenda a preços inflacionados, sob risco de processo.
- Custos de envio globais subiram devido a conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã e ao fechamento do Estreito de Hormuz, prejudicando navios com destino a portos asiáticos.
- Myanmar depende de importação de combustível refinado de Singapura e Malásia; já há shortages, com fornecimentos alternativos via Rússia e Tailândia; moradores de Yangon manifestaram preocupação com o custo de vida e com o funcionamento de estações de serviço.
Myanmar implementou nesta quarta-feira um sistema de racionamento de combustível para veículos privados, em meio a interrupções na cadeia de suprimentos global. A decisão, anunciada pelo Conselho de Defesa e Segurança Nacional (NDSC), tem efeito a partir de 7 de março de 2026. A justificativa é a elevação dos conflitos no Oriente Médio.
O regime adota o esquema de licenciamento “par” (número par em dias pares, ímpar em dias ímpares). Carros com placas pares poderão circular apenas em datas pares, e placas ímpares em datas ímpares. Veículos elétricos e motos elétricas ficam isentos.
Segundo o NDSC, a medida busca reduzir distúrbios provocados pela turbulência geopolítica e pelos bloqueios de transporte de petróleo. A crise energética global tem aumentado os custos de frete e pressionado estoques regionais de combustível.
Analistas indicam que Myanmar depende de importações de gasolina de Singapura e Malásia, que funcionam como hubs para o petróleo do Oriente Médio. Deslocamentos no Estreito de Hormuz agravam a pressão sobre o abastecimento.
A deterioração recente afeta também cidades fronteiriças. Em Myawaddy, o abastecimento acabou no início da noite de 3 de março, levando postos a fecharem temporariamente e moradores a buscar combustível em Mae Sot, na Tailândia.
Em Yangon, núcleo econômico do país, moradores relatam preocupação com o custo de vida, após a adoção do racionamento. A medida pode complicar o dia a dia numa cidade já afetada por queda de energia.
Desde 2021, Myanmar vive turbulência política após o golpe militar, que derrubou o governo eleito de Aung San Suu Kyi. A violência e a instabilidade persistem, impactando setores estratégicos, incluindo energia.
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