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Pastores sírios que ficaram: relatos em meio ao conflito

Pastores sírios que ficaram sustentam comunidades deslocadas diante da violência, mirando um possível revival e pressão migratória crescente

Pastor Mazen Hamate during a back-to-school event that his church hosted for Syrian children in September 2025.
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  • Clérigos sírios, incluindo o pastor Valentine Hanan em Aleppo, permaneceram abrigando deslocados mesmo diante de intensos confrontos entre forças do governo e milícias curdas em 2025 e início de 2026.
  • Em janeiro, combates em Sheikh Maqsood e Ashrafieh forçaram moradores a fugir; mais de 150 mil pessoas ficaram deslocadas e pelo menos 23 morreram.
  • A crise econômica e a violência têm impulsionado a emigração de cristãos na Síria, que antes somavam cerca de 2,1 milhões de fiéis e hoje são estimados em aproximadamente 300 mil no país.
  • Embora o governo tenha retomado o controle de áreas de Aleppo, líderes religiosos relatam temor de represálias e destacam que, até o momento, não houve perseguição sistemática às igrejas, mas ataques extremistas já ocorreram.
  • Mesmo com riscos, os pastores afirmam sentir um chamado divino para ficar, ajudar comunidades deslocadas e trabalhar pela renovação da fé entre curdos e demais povos da região.

Pastores sírios que ficaram tentam manter a fé diante de confrontos. Em 2025 e início de 2026, a violência na Síria provocou deslocamentos, mas líderes religiosos dizem que há um despertar entre fiéis que permanecem.

Valentine Hanan, pastor da Igreja Evangélica Cristã de Aleppo, viveu guerra desde 2011 e já se mudou quatro vezes. Em dezembro de 2024, com a queda de Assad, retornou a Aleppo para atender a comunidade curda. Em 2025 enfrentou tiroteios no bairro Sheikh Maqsood.

Entre janeiro e março de 2026, combates intensos entre forças governamentais e milícias curdas agravaram o conflito em Aleppo, levando moradores a buscar refúgio. Hanan abriu as portas da igreja para abrigar pessoas deslocadas, oferecendo comida e remédios para mais de 50 famílias.

Deslocamento e resposta pastoral

Em 11 de janeiro, após dias de confronto que deixaram ao menos 23 mortos e 150 mil deslocados, a SDF se retirou de Sheikh Maqsood e Ashrafieh. O governo sírio informou controle sobre a área naquela noite. Hanan retornou às ruas para avaliar os danos.

Alguns fiéis encontraram casas saqueadas na volta. A igreja comprou itens básicos como colchões e utensílios de cozinha para quem ficou sem moradia. As reuniões passaram a ocorrer com cautela, limitando o tamanho de encontros para evitar riscos.

Contexto social e religioso

Historicamente, a comunidade cristã na Síria foi reduzida por décadas de violência. Estima-se que antes da guerra havia cerca de 2,1 milhões de cristãos; hoje a cifra é consideravelmente menor. Líderes religiosos relatam aumento da emigração devido à violência e à instabilidade.

Mazen Hamate, pastor da Igreja Evangélica Batista Redentor, em Tartus e Safita, aponta que o desejo de sair do país permanece entre fiéis. Atraem esperança investidas estrangeiras e possível flexibilização de sanções, mas ainda não houve alívio econômico significativo.

Motivação de quem fica

Para muitos líderes, a permanência é uma obrigação de fé e serviço. Em Jaramana, nos arredores de Damasco, um assistente pastoral descreve que muitos fiéis continuam na região para apoiar a comunidade. Ele afirma que a queda de emigração anterior foi interrompida pela violência recente e pelos ataques a prédios religiosos.

Apesar do risco, Hanan mantém a visão de que permanecer pode transformar a vida de seu povo. Ele destaca que, embora curdos cristãos sejam minoria, não houve perseguição institucional até o momento e que autoridades locais costumam tratar o clero com respeito.

Perspectivas futuras

Em Aleppo, a igreja liderada por Hanan observa sinais de revitalização entre fiéis, incluindo novos membros entre curdos convertidos. Em Hasakah, cidade próxima, já houve surgimento de uma igreja curda que antes não existia, indicativo de mudanças demográficas impulsionadas pelo conflito.

Os líderes ressaltam que a situação econômica permanece precária, com serviços públicos limitados e alto índice de pobreza. Ainda assim, apontam para uma dinâmica de resiliência comunitária e continuidade das atividades religiosas como eixo de apoio às famílias afetadas.

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