- Deslizamento de terras, causado por fortes chuvas, na mina de Rubaya, na República Democrática do Congo, deixou mais de duzentas pessoas mortas, entre elas cerca de setenta crianças.
- A mina Gasasa é estratégica, respondendo por parte significativa da produção de coltán; Rubaya está sob controle do Movimento 23 de Março desde 2024.
- O M23 afirmou que o acidente foi provocado por bombardeio e reduziu o número de vítimas para cinco, enquanto o governo reclassificou a região como zona vermelha, proibindo a atividade minera.
- O conflito entre as forças congolesas e o M23 se aproxima da área da mina, que o governo inclui numa lista de exploração apresentada aos Estados Unidos para facilitar apoio militar.
- Estima-se que o M23 receba cerca de 800 mil dólares mensais com o coltán extraído em Rubaya; o minério é exportado para Ruanda misturado ao coltán ruandês.
Um deslizamento de terras causado pelas fortes chuvas deixou mais de 200 mortos na mina de Rubaya, na República Democrática do Congo. A informações são do Ministério de Minas do governo congolês e apontam cerca de 70 crianças entre as vítimas.
O incidente ocorreu na região controlada pelo grupo rebelde M23 desde 2024. O desabamento aconteceu na jazida de Gasasa, um polo estratégico de extração de coltán, mineral-chave para tecnologia e indústria.
Contexto e desdobramentos
Segundo o ministério, Rubaya foi reclassificada como zona vermelha em novembro, proibindo qualquer atividade mineradora oficial. No entanto, combates recentes junto à mina acentuaram a movimentação de trabalhadores e deslocamentos.
O M23 sustenta o controle da área e afirma ter causado o acidente a partir de um bombardeio, reduzindo o número de mortos para cinco, conforme apuração de agências internacionais. A veracidade de ambas as leituras ainda está em investigação.
Panorama da mineração e das consequências
Rubaya representa parte relevante da produção de coltán do país, responsável por cerca de metade da produção interna e por uma fração significativa da produção mundial. O mineral é exportado para Ruanda, muitas vezes misturado com coltán ruandês.
A ONU aponta que o grupo tem arrecadado aproximadamente 800 mil dólares mensais com a venda artesanal do coltán na região. A movimentação passa por pontos de fronteira sob controle do M23, que regula o fluxo de caminhões rumo a Ruanda.
Implicações políticas e econômicas
Autoridades congolesas destacam a necessidade de cortar vínculos entre grupos armados e atividades de extração para atrair investidores estrangeiros. O governo incluiu Rubaya em uma lista de minas apresentadas aos EUA para facilitar cooperação em segurança e mineração.
O conflito no nordeste do Congo mantém-se há décadas, envolvendo forças do governo, milícias locais e atores estrangeiros. Jovens e trabalhadores locais continuam expostos às dificuldades da região marcada pela violência e pela exploração de recursos naturais.
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