Em Alta NotíciasConflitosPessoasAcontecimentos internacionaiseconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Pussy Riot critica o retorno da Rússia à Bienal de Veneza

Pavilhão russo retorna à Bienal de Veneza, provocando críticas de dissidentes e artistas ucranianos que veem uso cultural como instrumento de poder

The Russian Pavilion in Venice, built in 1914
0:00
Carregando...
0:00
  • Rússia voltará a participar da Bienal de Venecia pela primeira vez desde a invasão à Ucrânia, em fevereiro de 2022, com um projeto que mistura folclore russo e música mundial.
  • O programa, denominado The tree is rooted in the sky, incluirá um festival de três dias de 5 a 8 de maio, antes da abertura oficial da Bienal, com tradução para o pavilhão exibida posteriormente.
  • A resposta internacional inclui críticas de dissidentes russos e de artistas ucranianos; o grupo Pussy Riot chamou a participação de golpe à segurança europeia e anunciou protestos.
  • A organização da Bienal defendem a participação e destacam que qualquer país reconhecido pela Itália pode participar, reafirmando compromisso com diálogo e liberdade artística.
  • Além de performances de música folclórica, o programa conta com artistas como oDJ Diaki (Diaki Koné) e grupos que já aparecem na televisão estatal; questões sobre vínculos entre cultura e poder têm sido levantadas por críticos.

A Rússia voltará a participar da Bienal de Veneza, em um retorno desde a invasão da Ucrânia em 2022. O Pavilhão russo exibirá folclore e música mundial, segundo a lista de participantes publicada no site da Bienal. A proposta foi anunciada pela comissão russa e pelo organizador Mikhail Shvydkoy, enviado cultural de Putin.

A comissão russa descreve o projeto como uma polifonia multilíngue de culturas, enfatizando que não haveria exclusão nem censorship de expressão artística. A programação prevê um festival de três dias, entre 5 e 8 de maio, antes da abertura oficial, com filmagens que serão exibidas no pavilhão.

O título do programa é The tree is rooted in the sky, inspirado na obra da filósofa Simone Weil. Segundo fontes associadas ao pavilhão, o projeto também envolverá filósofos na curadoria. A iniciativa foi marcada por reações de crítica entre dissidentes russos e artistas ucranianos, que veem a participação como uma ferramenta de propaganda cultural.

Pussy Riot, grupo de protesto punk, criticou publicamente a decisão, afirmando que a participação representa um golpe à segurança europeia e que a cultura tem sido usada como instrumento de doutrina militar. A organização também mencionou histórico de regimes totalitários associando arte a políticas de normalização de poder.

A Bienal de Veneza defendeu a inclusão da Rússia, destacando que qualquer país reconhecido pela Itália pode participar caso possua pavilhão no Giardini. Em nota, a organização reforçou o compromisso com o diálogo, a abertura e a liberdade artística, desejando cessar conflitos e sofrimentos.

O debate envolve também a cena artística internacional. Críticos e curadores ucranianos ressaltam que a participação gerou controvérsias, com relatos de descontentamento não apenas na esfera artística, mas na sociedade. Comentários apontam para uma leitura crítica sobre a história do pavilhão russo, cuja construção data de 1914.

Entre os participantes, destaque para o músico diaki Kone, conhecido como DJ Diaki, que representa a fusão de ritmos da África Ocidental com elementos russos. O artista descreveu a ocasião como uma oportunidade de diálogo cultural, buscando evitar a politização da música.

A programação também incluirá integrantes de ensembles folclóricos retratados na televisão estatal russa. A seleção inclui grupos que promovem a narrativa nacionalista, refletindo uma linha cultural associada ao governo. A família Karneeva, ligada ao pavilhão, tem histórico de vínculos com estruturas estatais e empresas ligadas a defesa, o que alimenta debates sobre interesses políticos na escolha cultural.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais