- Donald Trump vai receber líderes latino-americanos na Flórida no sábado, em um cume chamado “Escudo das Américas”, para conter a influência da China na região, dias após ataques dos EUA ao Irã.
- O encontro ocorre enquanto Trump se prepara para conversar com o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim no final de março, buscando aproximar a América Latina de Washington.
- Os participantes são líderes conservadores, com Milei, Kast e Bukele previstos, refletindo um giro de direita na região em temas como segurança e migração.
- Foco dos debates inclui segurança, combate ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e o papel da China em portos, telecomunicações e infraestrutura na região; a China teve comércio regional recorde de 518 bilhões de dólares em 2024.
- Entre os dados da China na região, Beijing financiou mais de 120 bilhões de dólares a governos da América, aumentando presença em projetos estratégicos e gerando pressão para a postura dos EUA.
- Kristi Noem será enviada especial para o “Escudo das Américas”; ela deixou o cargo de secretária de Segurança Interna na semana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe neste sábado líderes da América Latina na Flórida, em um encontro cuja pauta inclui conter a influência da China na região. O evento ocorre poucos dias depois de ataques dos EUA ao Irã, que abriram um novo cenário no Oriente Médio. O objetivo diplomático é aproximar governos latino‑americanos de Washington antes da visita de Trump à China, em Beijing, no final de março.
O encontro, denominado Shield of the Americas, também serve para o presidente projetar força doméstica frente a impactos indiretos do conflito, como oscilações nos preços de petróleo e gás. A organização oficial da cúpula ficou a cargo de Kristi Noem, que atua como enviada especial para o evento, após deixar o cargo de secretária de Segurança Interna.
Entre os convidados estão o presidente argentino Javier Milei, o presidente eleito do Chile, Jose Antonio Kast, e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Bukele tem sido alvo de críticas de direitos humanos, mas tem apresentado um modelo de combate ao crime que inspira parte da direita regional. Também confirmaram presença o hondureño Nasry Asfura e o presidente do Equador, Daniel Noboa.
A reunião reflete uma guinada conservadora em setores da região, com foco em segurança, migração e economia. Políticos de diferentes países acompanham de perto o que acontece com as políticas de ordem pública e de estímulo ao setor privado, em meio a uma relação cada vez mais dinâmica entre Washington e Beijing.
China na América Latina
Especialista em programas para a região, Ryan Berg, do Center for Strategic and International Studies, afirma que o encontro é inédito na segunda mandato de Trump, reunindo líderes latino‑americanos de forma coordenada. As expectativas apontam para discussões sobre segurança, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e o papel da China em portos, telecomunicações e outras infraestruturas.
Segundo Berg, o comércio entre a China e a região atingiu 518 bilhões de dólares em 2024, com empréstimos acima de 120 bilhões de dólares a governos locais. A ampliação da presença chinesa — desde estações de satélite na Argentina até um porto no Peru e apoio econômico a Venezuela — tem sido tema de tensão com administrações americanas, que pedem redução desse envolvimento.
A postura de Washington tem sido de pressionar governos locais a reduzir a participação chinesa em ativos estratégicos. A cooperação regional também envolve ações mais diretas, como operações com foco em drogas e a intensificação de sanções e controles sobre atividades econômicas que envolvem o regime venezuelano.
Entre as referências da região, houve também menção a ações envolvendo o Panamá, com autoridades tomando medidas contra uma empresa ligada à operação no Canal, em meio a disputas que revelam a influência de atores externos sobre infraestruturas logísticas globais.
Em relação a Venezuela, autoridades americanas destacaram a detenção do presidente Nicolás Maduro ocorrida em janeiro e tentativas de controle sobre as exportações de petróleo. Externalidades desse movimento incluem maior rigor nos embargos a Cuba, mantendo a pressão econômica sobre regimes considerados adversários. Apesar das diferentes leituras, o objetivo permanece claro: moldar o alinhamento político e econômico da região diante de Washington e Beijing.
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