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China diz que ataques a Irã não deveriam ocorrer e não beneficiam ninguém

Ministro de Exteriores da China diz que a guerra não deveria ocorrer e que Pequim aposta em paz, soberania de Taiwan e respeito ao direito internacional

El ministro de Exteriores de China, Wang Yi, durante su rueda de prensa anual en el marco de las Dos Sesiones, este domingo en Peking.
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  • O ministro de Exteriores chinês, Wang Yi, afirmou em linha com a diplomacia de Pequim que a China está do “lado certo da história” e pediu alto ao fogo na guerra contra Irã, destacando que não beneficia ninguém e defendendo soberania iraniana e segurança no Golfo.
  • Reiterou que o mundo deve evitar o uso da força e que os problemas do Oriente Médio devem ser geridos pelos próprios países da região, defendendo o multilateralismo e o papel das Nações Unidas.
  • Criticou políticas dos Estados Unidos e de Japão, pediu cooperação em vez de blocs e afirmou que Taiwãn nunca será uma nação independente.
  • Sobre a Ucrânia, a China se colocou como ator neutral e favoreceu uma solução negociada, mantendo, ao mesmo tempo, uma relação “firme e inabalável” com a Rússia e oposição a tentativas de redefinir o direito internacional.
  • A intervenção ocorreu durante 85 minutos, na primeira e única coletiva anual de Wang Yi nas Dos Sessões, com foco em relações sino-americanas, laços com a União Europeia e tensões com o Japão.

O ministro de Exteriores da China, Wang Yi, abriu neste domingo a sua única rodada de perguntas na presença de autoridades e jornalistas durante as Dos Conselhos, em Pequim. Em destaque, ele reiterou que a China está posicionada do lado da paz, da estabilidade e da justiça mundial, rejeitando a guerra contra o Irã iniciada por Estados Unidos e Israel na semana anterior. O chanceler afirmou que o conflito não deveria ter ocorrido e que não traz benefício algum a nenhuma parte.

Wang enfatizou que o mundo precisa de imediata redução das hostilidades e fez um apelo pela cessação das ações militares para evitar descontrole regional. Também pediu respeito à soberania iraniana e à integridade territorial dos países do Golfo, defendendo que os problemas do Oriente Médio devem ser geridos pelos próprios países da região.

Durante 85 minutos, o ministro respondeu a 21 perguntas previamente selecionadas sobre temas-chave da geopolítica. Entre os assuntos, ele destacou a relação com os Estados Unidos, desejando que 2026 seja um ponto de inflexão na cooperação bilateral, e pediu a preservação da cooperação com a União Europeia diante da lógica de blocos.

Wang foi duro ao tratar das tensões com o Japão, lembrando o passado militarista do país e apontando para sinais de alerta na política de segurança japonesa. Em relação a Taiwan, reiterou que a ilha sempre foi parte da China e advertiu que qualquer movimento em direção à independência agrava as tensões no estreito.

No âmbito da guerra na Ucrânia, a China reiterou que atua como ator neutro e defende uma solução negociada, apesar de críticas europeias pela proximidade com a Rússia. O chanceler também ressaltou que a relação entre China e Rússia permanece sólida e que ambos os países resistem a tentativas de redefinir o direito internacional.

Ao falar sobre a política externa, Wang ressaltou a defesa do multilateralismo e criticou medidas protecionistas, comparando tarifas a combustível para o fogo. O ministro enfatizou que a Organização das Nações Unidas continua essencial para a ordem global, ainda que reconheça imperfeições no sistema internacional.

Sobre a região, Wang destacou que o Oriente Médio requer coordenação regional e que não devem ser promovidas revoluções ou mudanças de regime por interesses externos. O ministro manteve o tom de chama diplomática para a gestão de conflitos, sem ascender a acusações diretas.

A imprensa internacional esteve presente na sessão, que ocorreu no contexto das Dos Sesiones, evento político anual de grande importância para a China, reunindo o Legislativo e um órgão consultivo. Espera-se que haja desdobramentos sobre agenda externa chinesa nos próximos dias.

Taiwan voltou a figurar entre as prioridades da fala, com o governo chinês reiterando a posição de que a ilha é parte inseparável da China. O relatório governamental recente também citou a repressão a atividades separatistas, mantendo tom firme em relação a qualquer movemento de autonomia que possa destabilizar a região.

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