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Vieira conversa com Rubio após risco de EUA definirem CV e PCC como terroristas

Chanceler Mauro Vieira liga para Marco Rubio após rumores de que EUA devem designar CV e PCC como organizações terroristas estrangeiras, o que pode restringir atuação brasileira

Chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e secretário de Estado dos EUA, Marco Rúbio, em outubro
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  • O chanceler Mauro Vieira conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após informações não oficiais de que Washington deve designar as facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas estrangeiras.
  • A ligação ocorreu por volta de 21h (horário de Brasília) e o Itamaraty já buscava o contato desde sábado, quando os rumores começaram a circular.
  • O Brasil se opõe à designação e propôs uma parceria de combate ao crime organizado sem classificar CV e PCC como terroristas; o governo aponta influência de setores da direita brasileira na decisão.
  • A documentação foi finalizada no Departamento de Estado e, após passa pelo Congresso e pelo Registro Federal, pode seguir para publicação em cerca de duas semanas.
  • O governo brasileiro discute cooperação bilateral com os EUA no combate ao crime organizado, com Lula interessado em um encontro com Trump ainda neste mês, caso a agenda permita.

O chanceler brasileiro Mauro Vieira conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na noite de terça-feira, após o Brasil tomar conhecimento de que Washington prepara a designação das facções brasileiras Comando Vermelho CV e Primeiro Comando da Capital PCC como organizações terroristas estrangeiras. A ligação ocorreu por volta das 21h, em Brasília, segundo informações obtidas pelo UOL e confirmadas por fontes oficiais.

O Itamaraty vinha acompanhando há dias a possibilidade de a decisão norte-americana ser anunciada e buscava esclarecer o tema com os colegas americanos. Oficialmente, não houve confirmação pública sobre o teor da conversa entre Vieira e Rubio. O último contato entre as partes havia sido em janeiro, relacionado à eventual visita do presidente Lula à Casa Branca.

O Brasil já se opôs à designação, defendendo uma parceria de combate ao crime organizado sem classificar CV e PCC como terroristas. O governo sustenta que as duas organizações são grupos criminosos que atuam por lucro, sem motivações políticas ou ideológicas. A avaliação brasileira envolve riscos à soberania nacional e à atuação de Estados estrangeiros no território.

Segundo apuração, a documentação para a designação já seria finalizada no Departamento de Estado e seguiria para o Congresso e, por fim, para publicação no Registro Oficial Federal. O processo pode levar cerca de duas semanas, com impacto sobre ativos, acesso ao sistema financeiro e restrições de imigração para integrantes dos grupos.

Ainda não houve confirmação de que o Brasil tenha apresentado objeções formais à medida, mas diplomatas brasileiros admitiram desconforto com o desdobramento e destacaram conversas sobre cooperação bilateral no combate ao crime organizado como alternativa à classificação de terroristas. O governo Lula tem enfatizado a cooperação sem ampliação de poderes militares estrangeiros no país.

A possível designação também é discutida no contexto de esforços dos EUA contra o tráfico de drogas nas Américas. Lideranças da administração Trump e aliados da direita latino-americana participaram de encontros recentes sobre esse tema, realizados em Miami, com foco em ações coordenadas contra organizações criminosas transnacionais.

No cenário interno, o governo brasileiro afirma que nem CV nem PCC possuem agendas políticas e enfatiza a necessidade de respeitar a soberania nacional ao lidar com questões de segurança interna. O tema tende a sustentar conversas entre Brasília e Washington sobre cooperação estratégica no combate ao crime organizado.

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