- O chanceler Mauro Vieira conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após informações não oficiais de que Washington deve designar as facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas estrangeiras.
- A ligação ocorreu por volta de 21h (horário de Brasília) e o Itamaraty já buscava o contato desde sábado, quando os rumores começaram a circular.
- O Brasil se opõe à designação e propôs uma parceria de combate ao crime organizado sem classificar CV e PCC como terroristas; o governo aponta influência de setores da direita brasileira na decisão.
- A documentação foi finalizada no Departamento de Estado e, após passa pelo Congresso e pelo Registro Federal, pode seguir para publicação em cerca de duas semanas.
- O governo brasileiro discute cooperação bilateral com os EUA no combate ao crime organizado, com Lula interessado em um encontro com Trump ainda neste mês, caso a agenda permita.
O chanceler brasileiro Mauro Vieira conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na noite de terça-feira, após o Brasil tomar conhecimento de que Washington prepara a designação das facções brasileiras Comando Vermelho CV e Primeiro Comando da Capital PCC como organizações terroristas estrangeiras. A ligação ocorreu por volta das 21h, em Brasília, segundo informações obtidas pelo UOL e confirmadas por fontes oficiais.
O Itamaraty vinha acompanhando há dias a possibilidade de a decisão norte-americana ser anunciada e buscava esclarecer o tema com os colegas americanos. Oficialmente, não houve confirmação pública sobre o teor da conversa entre Vieira e Rubio. O último contato entre as partes havia sido em janeiro, relacionado à eventual visita do presidente Lula à Casa Branca.
O Brasil já se opôs à designação, defendendo uma parceria de combate ao crime organizado sem classificar CV e PCC como terroristas. O governo sustenta que as duas organizações são grupos criminosos que atuam por lucro, sem motivações políticas ou ideológicas. A avaliação brasileira envolve riscos à soberania nacional e à atuação de Estados estrangeiros no território.
Segundo apuração, a documentação para a designação já seria finalizada no Departamento de Estado e seguiria para o Congresso e, por fim, para publicação no Registro Oficial Federal. O processo pode levar cerca de duas semanas, com impacto sobre ativos, acesso ao sistema financeiro e restrições de imigração para integrantes dos grupos.
Ainda não houve confirmação de que o Brasil tenha apresentado objeções formais à medida, mas diplomatas brasileiros admitiram desconforto com o desdobramento e destacaram conversas sobre cooperação bilateral no combate ao crime organizado como alternativa à classificação de terroristas. O governo Lula tem enfatizado a cooperação sem ampliação de poderes militares estrangeiros no país.
A possível designação também é discutida no contexto de esforços dos EUA contra o tráfico de drogas nas Américas. Lideranças da administração Trump e aliados da direita latino-americana participaram de encontros recentes sobre esse tema, realizados em Miami, com foco em ações coordenadas contra organizações criminosas transnacionais.
No cenário interno, o governo brasileiro afirma que nem CV nem PCC possuem agendas políticas e enfatiza a necessidade de respeitar a soberania nacional ao lidar com questões de segurança interna. O tema tende a sustentar conversas entre Brasília e Washington sobre cooperação estratégica no combate ao crime organizado.
Entre na conversa da comunidade