- Brics enfrenta crise de coesão: membros em guerra entre si no contexto do ataque ao Irã, com o bloco em silêncio sobre o conflito.
- Brasil discute estratégia de Lula de fortalecer o Brics para ampliar influência global, mas o grupo não se posiciona como fórum de mediação.
- Lula recebeu o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, em Brasília, e ambos defenderam paz, sem apontar o Brics como espaço de negociação.
- Analistas apontam fragilidade estrutural: assimetria de poder e interesses divergentes dificultam ações conjuntas; há cooperação mais simbólica que prática.
- O Brics ampliado (Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito e Etiópia) é visto como plataforma de sinalização política, não de mediação efetiva.
O grupo Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, expandiu-se recentemente com o Egito, Etiópia, Irã, Irã, Indonésia, e recebeu a adesão de Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita; a coordenação entre os membros enfrenta crise diante de conflitos no Oriente Médio, agravados pelo ataque dos EUA ao Irã. Teerã tem bombardeado Emirados e Arábia Saudita, que estudam retaliação, enquanto o bloco não emitiu posição oficial sobre os ataques.
A situação coloca em xeque a estratégia brasileira de fortalecer o Brics para ampliar a influência no Sul Global. Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, em encontro que gerou declarações separadas sobre o Oriente Médio, sem sinal de uso do Brics como fórum de mediação.
Contexto e histórico do Brics
Desde 2023, o Brics tem se posicionado mais próximo de visões antiamericanas, influenciado pela China e pela Rússia. Em junho do ano passado, o bloco criticou ataques a estruturas nucleares iranianas, mas, na atual fase de conflitos no Irã, optou pelo silêncio diplomático.
Em termos institucionais, analistas veem fragilidade estrutural do Brics: divergências entre membros, baixa institucionalização e dificuldades de coordenação. Um peso maior recai sobre China e Rússia, enquanto Brasil, Índia e África do Sul exercem influência mais limitada.
Análise de especialistas
Cezar Roedel aponta que o Brics nunca funcionou como aliança coesa; a expansão ampliou divergências e não favorece uma posição conjunta forte. Elton Gomes enfatiza a assimetria de poder entre os integrantes, o que dificulta ações coordenadas diante de grandes potências.
Gomes também observa que as tensões entre Irã e Arábia Saudita, ambos no bloco ampliado, reduzem a cooperação, dada a rivalidade regional. Roedel acrescenta que o Brics funciona mais como espaço de sinalização política do que como mecanismo de atuação prática.
Situação atual do conflito e impactos
Em termos de consequências, Emirados Árabes e Arábia Saudita registraram impactos em refinarias, aeroportos e portos, e avaliam medidas de defesa e retaliação. Analistas destacam que a ausência de posição comum do Brics evidencia limitações institucionais do bloco.
No aspecto econômico, o comunicado conjunto entre Lula e Ramaphosa mencionou preocupação com o conflito e defesa da diplomacia, sem propor o Brics como canal de mediação. O documento reforçou interesse em ampliar o comércio entre Brics e reduzir a dependência do dólar.
Quadro estratégico e futuro do bloco
Ramaphosa ressaltou a importância de solução pacífica por meio de negociação, sem citar o Brics como ferramenta de mediação. Lula enfatizou o papel da diplomacia para solução duradoura. O tom indica foco bilateral, não institucional do bloco.
Analistas destacam que o Brics continua a ser, para muitos, mais uma plataforma de projeção internacional, especialmente para a China, do que um agente de resolução de conflitos. A percepção é de que o grupo, diante de seus dilemas internos, tende a agir com cautela em temas sensíveis.
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