- A Human Rights Watch diz que ataques com drones explosivos das forças de segurança haitianas, visando gangues, deixaram 1.243 mortos entre março do ano passado e 21 de janeiro deste ano, incluindo 43 adultos civis e 17 crianças, além de 738 feridos.
- Os ataques, usando drones quadricópteros, ocorreram principalmente em áreas densamente povoadas de Porto Príncipe, com apoio da empresa privada Vectus Global, liderada por Erik Prince.
- Desde março, as operações de combate às gangues aumentaram, com o número de ações entre novembro e janeiro quase dobrando em relação aos três meses anteriores.
- Autoridades haitianas, o Ministério da Defesa, a polícia, a Vectus e o Departamento de Estado dos Estados Unidos não responderam a pedidos de comentário; a missão de USAID não foi citada neste trecho.
- A HRW aponta execução de força letal sem salvaguardas para civis e pediu que parceiros suspendam apoio até que proteções sejam implementadas; a ONU também registra mortes e injuries relacionadas a drones, com preocupações sobre legalidade.
O grupo de direitos humanos HRW afirma que ataques com drones efetuados por forças de segurança haitianas, apoiadas por uma empresa privada, resultaram em mais de 1.200 mortes desde março do ano passado. Entre as vítimas, teriam ocorrido 43 adultos civis e 17 crianças, segundo o relatório divulgado nesta terça-feira.
De acordo com o HRW, operações antigangues têm sido ampliadas nos últimos meses em Port-au-Prince, com drones quadricópteros carregando explosivos usados em áreas densamente habitadas. A prática envolve apoio da empresa militar privada Vectus Global, liderada por um ex-funcionário da Blackwater.
O governo haitiano e seus parceiros não responderam aos pedidos de comentário, assim como a embaixada dos EUA. A autoridade diplomática dos EUA em Port-au-Prince afirmou a um comitê do Senado que a State Department licenciou a exportação de serviços da Vectus para o Haiti.
Alcance e impactos humanos
Análises do HRW são baseadas em entrevistas com médicos, familiares de vítimas, líderes comunitários e imagens de ataques. Entre os feridos, 738 pessoas estariam indispostas, incluindo 49 civis presumidos.
A organização destacou que, de novembro a janeiro, houve quase o dobro de operações com drones em comparação aos três meses anteriores. Moradores relatam receio de deixar suas casas devido à presença constante de drones.
Especificamente, mais da metade das crianças mortas tinham entre 3 e 12 anos, ocorrendo em setembro passado durante ataque a um centro esportivo onde a gangue distribuía produtos de festa, segundo o HRW.
Contexto e respostas internacionais
A missão de apoio da ONU na Haiti (BINUH) também registrou mortes e ferimentos de civis causados por drones, incluindo uma mãe de três filhos morta enquanto vendia no comércio e uma mulher morta dentro de casa onde dois membros de gangue buscavam refúgio.
Na avaliação do HRW, não há evidência de uso generalizado de drones por gangues. A chefe de direitos humanos da ONU havia declarado, em outubro, que os ataques com drones são desproporcionais e possivelmente ilegais.
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