- Em 2017, o ex-marine espanhol David Morales, dono da UC Global S.L. em Jerez de la Frontera, coordenou espionagem contra Julian Assange na Embaixada do Equador em Londres, com microfones ocultos e transmissão online, a serviço de um “cliente americano” ligado à CIA.
- A operação contou com uma unidade liderada por Michel Wallemacq, técnicos de informática e de comunicações, que trocaram câmeras e instalaram áudio oculto para monitorar Assange, seus advogados e visitantes, com acesso em tempo real pelos EUA.
- Os crimes teriam sido financiados por contratos firmados, inclusive com empresas offshore, após Morales ter apresentado a parceria com “amigos americanos” durante viagens a Las Vegas e a eventos de segurança.
- Em dezembro de 2017, as câmeras passaram a ter áudio integrado; a tentativa de saída de Assange da embaixada, com apoio de autoridades equatorianas, acabou frustrada quando os EUA emitiram ordem de detenção, encerrando o plano.
- Morales faleceu em março de 2026; o caso segue em processo judicial contra outras pessoas ligadas à operação, com o Brasil/Europa acompanhando as acusações e ações de sigilo solicitadas pela CIA.
A imprensa internacional revela que uma empresa de segurança de Jerez de la Frontera, gerida por um ex-militar espanhol, atuou ao serviço de espionagem da CIA contra o fundador de Wikileaks, Julian Assange. Os relatos apontam para mensagens e testemunhos que embasam a investigação.
Segundo as informações, o empresário David Morales enviou, em 21 de março de 2017, instruções para instalar microfones camuflados na embaixada do Equador em Londres, onde Assange buscava proteção. O objetivo seria monitorar o hóspede e transmitir as gravações para um servidor remoto.
Fontes citadas descrevem uma rede de contatos que operava sob contrato com a UC Global S.L. e envolvia clientes norte-americanos. Entre as funções estavam a vigilância de Assange, de seus advogados, visitantes e da própria embaixada. Morales negou as acusações.
Origem e continuidade do espionaje
A reportagem aponta que tudo teve início em um encontro em Las Vegas, em 2016, envolvendo representantes de Las Vegas Sands e executivos de segurança. A partir daí, Morales manteve ligações com o que chamou de “cliente americano”, identificado como ligado a atividades da CIA.
Os contratos passaram a financiar a operação, incluindo a supervisão de segurança de um iate e a criação de um sistema de câmeras com microfones ocultos. As gravações eram acessíveis por streaming aos clientes, com armazenamento em servidor reservado.
Estrutura interna e métodos
Para operacionalizar o espionaje, Morales organizou uma unidade liderada por Michel Wallemacq. Os chamados mosqueteros recebiam ordens e gerenciavam técnicos de informática e comunicações. Em dezembro de 2017, as câmeras internas da embaixada passaram por modificações para incluir áudio oculto.
Relatos descrevem ainda ações para ampliar o alcance da vigilância, como instalação de microfones na base de extintor e até no banheiro. Em paralelo, houve coleta de informações sobre visitantes, dispositivos móveis e documentos de viagem de pessoas ligadas a Assange.
Desdobramentos legais e contexto
A investigação levou Morales à prisão e, após anos de inquérito, ele estava próximo de ser levado a julgamento. A defesa aponta que o caso envolve uma rede de contactos entre empresas privadas e agentes estrangeiros, com potencial implicação de agências norte-americanas.
Documentos indicam que, em 2024, o então diretor da CIA usou a Lei de Segurança Nacional para justificar a não divulgação de detalhes da operação. O tribunal federal avaliou pedidos de desclassificação, mantendo o sigilo sobre informações sensíveis por questões de segurança nacional.
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