- Drones atingiram Goma, maior cidade do leste da República Democrática do Congo, na quarta-feira, deixando pelo menos três mortos, incluindo uma trabalhadora humanitária francesa.
- O grupo rebelde AFC/M23 responsabilizou o exército congolês, dizendo que Kinshasa lançou drones sobre a área urbana densamente povoada.
- A UNICEF confirmou a morte de uma de suas funcionárias, uma cidadã francesa, durante o ataque.
- O presidente francês, Emmanuel Macron, e Hadja Lahbib, comissária europeia, condenaram o ataque e pediram respeito ao direito humanitário internacional, afirmando que trabalhadores humanitários não devem ser alvos.
- O episódio ocorreu após semanas de intensificação de operações de drones de ambos os lados, com ataques recentes perto de Rubaya e em Kisangani.
Drones atingiram Goma, maior cidade do leste da República Democrática do Congo, na quarta-feira, deixando ao menos três mortos, entre eles um funcionário humanitário francês, segundo a ONU e o grupo rebelde AFC/M23. O ataque marcou a primeira ofensiva desse tipo na cidade desde a tomada por rebeldes no ano passado.
Segundo a AFC/M23, o ataque foi realizado pela força congolesa, com drones lançados contra uma área densamente populosa à beira do lago. Em posts separados, um porta-voz rebelde informou três vítimas, incluindo um trabalhador humanitário estrangeiro.
A UNICEF confirmou que um de seus funcionários, nacional francês, foi morto. O porta-voz do governo e o porta-voz do Exército congolês não se manifestaram de imediato.
O ocorrido foi registrado por um repórter da Reuters em Goma, que ouviu duas explosões por volta das 4h (02h GMT). Janelas tremeram e sirenes de ambulâncias foram ouvidas em seguida.
Um alto cargo da AFC/M23 informou a Reuters que a casa atingida por um dos drones era alugada por funcionários da UNICEF e fica perto de uma residência associada ao ex-presidente Joseph Kabila, em um bairro com figuras políticas e empresariais relevantes.
Ainda segundo o mesmo oficial, um segundo drone mirou a residência do coordenador político do AFC/M23, Corneille Nangaa, mas caiu no Lago Kivu.
Contexto
As investidas com drones ocorrem em meio a semanas de operações aéreas intensificadas de ambos os lados do conflito na região leste. Em 24 de fevereiro, o porta-voz militar do AFC/M23, Willy Ngoma, foi morto em ataque com drone próximo à cidade mineira de Rubaya, a cerca de 60 km de Goma.
O grupo rebelde também afirmou ter realizado ataques aéreos contra o aeroporto de Kisangani nas últimas semanas, ampliando a pressão na região nordeste.
Desdobramentos e reação internacional
O ataque provocou condenação de autoridades internacionais, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron e Hadja Lahbib, comissária da UE, que pediram respeito à lei humanitária internacional e destacaram que trabalhadores humanitários não devem ser alvos. O governo congolês não comentou o incidente de imediato.
Operações de monitoramento seguem na região, onde o conflito continua ativo em várias frentes, apesar de esforços de mediação promovidos por atores como Catar e os Estados Unidos. Relevantes autoridades locais não divulgaram novos dados oficiais ainda.
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