O comando militar do Irã afirmou nesta quarta-feira (11) que o mundo deve se preparar para o petróleo atingir US$ 200 por barril, após novos ataques a navios mercantes no Golfo Pérsico e em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. Segundo Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do quartel-general do comando militar de Khatam al-Anbiya, Teerã […]
O comando militar do Irã afirmou nesta quarta-feira (11) que o mundo deve se preparar para o petróleo atingir US$ 200 por barril, após novos ataques a navios mercantes no Golfo Pérsico e em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. Segundo Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do quartel-general do comando militar de Khatam al-Anbiya, Teerã deixará os “ataques recíprocos” para adotar “ataques contínuos” contra adversários e não permitirá que “nem um litro de petróleo” chegue aos Estados Unidos, a Israel e a parceiros desses países. Ele também afirmou que qualquer embarcação ou petroleiro com esse destino será considerado alvo. No mesmo dia, três navios foram atingidos por projéteis nas proximidades do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, o que elevou para 14 o número de embarcações atingidas desde o início da guerra.
Zolfaqari também declarou que o Irã responderá com ataques a bancos que mantenham negócios com os Estados Unidos ou Israel, depois que escritórios de um banco em Teerã foram atingidos durante a noite. Ainda segundo ele, pessoas em todo o Oriente Médio devem se afastar dessas instituições. Autoridades iranianas indicaram nesta quarta-feira (11) que pretendem manter um choque econômico prolongado enquanto a guerra continuar.
Tensão no Estreito de Ormuz e reação do mercado
Apesar da nova ofensiva e da falta de trégua em terra, os preços do petróleo recuaram após a disparada registrada no início da semana. O barril, que chegou perto de US$ 120 na segunda-feira, passou a ser negociado em torno de US$ 90, em movimento que indica aposta de investidores em uma interrupção rápida da guerra e na reabertura do estreito. Ainda assim, por volta das 14h20, no horário de Brasília, o Brent Futuros de maio de 2026 subia mais de 4%, para cerca de US$ 91,40 o barril, enquanto o WTI Futuros de abril de 2026 avançava mais de 3%, para cerca de US$ 86,45.
Em resposta ao risco de desabastecimento, os países membros da Agência Internacional de Energia concordaram unanimemente nesta quarta-feira (11) em liberar 400 milhões de barris de petróleo no mercado global. A medida foi apresentada como a maior liberação de reservas emergenciais de petróleo da história e tem o objetivo de reforçar a oferta de petróleo bruto e conter a alta dos preços causada pela guerra no Oriente Médio.
As novas ações no Golfo Pérsico incluíram danos a três embarcações. A tripulação de um cargueiro de bandeira tailandesa foi retirada após uma explosão provocar incêndio a bordo. Um navio de contêineres de bandeira japonesa e outro cargueiro registrado nas Ilhas Marshall também sofreram danos.
Guerra segue sem prazo para acabar
No campo militar, o Irã voltou a disparar contra Israel e outros alvos no Oriente Médio, numa demonstração de que ainda mantém capacidade de reação apesar do que o Pentágono classificou como os ataques mais intensos já realizados pelos Estados Unidos e por Israel até agora. Os militares iranianos haviam informado na terça-feira que lançaram mísseis contra uma base dos EUA no norte do Iraque, contra o quartel-general naval norte-americano no Bahrein e contra alvos no centro de Israel. Houve explosões no Bahrein, e quatro pessoas ficaram feridas em Dubai após a queda de dois drones perto do aeroporto.
No Bahrein, o Departamento de Aviação Civil informou que várias aeronaves da Gulf Air sem passageiros e alguns aviões de carga foram transferidos para outros aeroportos para garantir a continuidade e a eficiência das operações aéreas durante a crise. Em Teerã, moradores relataram estar se acostumando aos bombardeios noturnos, que levaram centenas de milhares de pessoas a deixar a cidade e deixaram a capital coberta por fumaça provocada por incêndios ligados ao petróleo.
Grandes multidões também foram às ruas nesta quarta-feira para os funerais de comandantes mortos em ataques aéreos. Os participantes carregavam caixões, bandeiras e retratos do líder supremo morto, aiatolá Ali Khamenei, e de seu filho e sucessor, Mojtaba. Uma autoridade iraniana disse à Reuters que Mojtaba Khamenei sofreu ferimentos leves no início da guerra, quando ataques aéreos mataram seu pai, sua mãe, sua esposa e um filho. Desde então, ele não apareceu em público nem divulgou mensagens.
Do lado israelense, uma autoridade de alto escalão disse à Reuters que líderes do país já admitem, em privado, que o sistema de governo do Irã pode sobreviver à guerra. Outras autoridades também afirmaram que não há sinais de que Washington esteja perto de encerrar a campanha. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que a operação continuará sem limite de tempo, ou sem prazo determinado, pelo tempo que for necessário, até que todos os objetivos sejam alcançados. Autoridades dos Estados Unidos e de Israel afirmam que a meta é destruir o programa nuclear do Irã e reduzir sua capacidade de atuação além das próprias fronteiras.
Também nesta quarta-feira (11), Donald Trump disse à Axios, em entrevista por telefone, que “praticamente não há mais nada” para atacar no Irã. Segundo ele, “um pouco disso e daquilo… Quando eu quiser que termine, terminará”.
Segundo o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, mais de 1.300 civis iranianos morreram desde o início dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel, em 28 de fevereiro. Também houve mortes em ataques israelenses no Líbano. Os ataques iranianos contra Israel mataram pelo menos 11 pessoas, e dois soldados israelenses morreram no Líbano. Washington afirma que sete militares norte-americanos morreram e cerca de 140 ficaram feridos.
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