- França busca soberania europeia em defesa, aumentando orçamento comum e fortalecendo a cooperação industrial com Espanha, incluindo o programa SCAF.
- Ministra delegada de Defesa afirma que França não apoia operações militares que desestabilizem o Oriente Médio e defende vias diplomáticas com sanções para o nuclear iraniano.
- Reforçar a autonomia europeia implica reduzir dependência de Estados Unidos, mantendo participação na OTAN e apoio a Ucrânia.
- França mantém presença e medidas de proteção no Mediterrâneo, com o porta-aviões Charles de Gaulle e ações para garantir a livre circulação marítima, incluindo cooperação com Chipre, Grécia e Espanha.
- Discurso sobre expansão do guarda nuclear europeu e diálogo com aliados para uma dissuasão europeia integrada, em meio a tensões com Rússia e cenário na Groenlândia.
Alice Rufo defende maior autonomia europeia em defesa, afirmando que França não apoia operações que desestabilizem a região. A ministra delegada participou de uma entrevista em Paris e, durante o encontro, enfatizou a necessidade de soberania militar da UE frente aos EUA.
A conversa ocorre em meio a tensões no Oriente Médio e ao reforço nuclear francês anunciado pelo presidente Macron. Rufo gesticula sobre o papel de França no Mediterrâneo, no Golfo e na cooperação com parceiros europeus, em especial Espanha, para ampliar a interoperabilidade militar.
Ela destaca que a Europa precisa se acostumar a não depender tanto dos EUA, mantendo alianças, porém fortalecendo capacidades próprias. Trump é citado como referência de reorganização geopolítica, segundo a ministra.
Autonomia e capacidade industrial
Rufo reforça o objetivo de soberania europeia, com investimentos compartilhados em defesa. A ideia é reduzir dependências externas e sustentar equipamentos como o SCAF, avião de combate em cooperação entre França, Alemanha e Espanha.
Ela afirma que o gasto militar deve acompanhar o aumento da produção europeia, estimulando indústrias nacionais. A ministra ressalta a importância de manter defesa comum para proteger os interesses europeus sem recorrer a aquisições externas.
Operações e regional
Sobre operações, Rufo deixa claro que a França não apoia ações ofensivas que desestabilizem a região. O foco é proteger aliados e manter a navegação marítima sob marco legal internacional. O objetivo é evitar impactos desestabilizadores na região.
A ministra descreve reforços no Mediterrâneo oriental, com o porta-aviões Charles de Gaulle e uma fragata em águas perto de Chipre. A França também atua no Canal de Suez e no Mar Vermelho, buscando uma missão internacional pela liberdade de circulação.
Líbano, Irã e Ucrânia
Rufo aponta a necessidade de desarmar Hezbolá e apoiar o retorno do controle territorial no Líbano, sem que haja risco para Israel. Sobre o Irã, a posição francesa é pela diplomacia com sanções ao programa nuclear.
Ela reafirma o compromisso com a Ucrânia, destacando que a capacidade de produção europeia reduz a dependência de Washington. A defesa europea deve ser suficiente para sustentar os aliados sem abrir mão de soberania.
Disuasão nuclear europeia
A governança de dissuasão é soberana, segundo Rufo, com participação europeia apenas em exercícios ou estratégias conjuntas. Ela afirma que a ideia é estender a proteção nuclear a aliados que desejem participar.
Sobre contatos com Espanha, Rufo indica abertura ao diálogo, sem confirmar declarações públicas do governo espanhol. A proposta é discutida país a país, com foco na dimensão europeia da dissuasão.
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