- Em Donetsk, Ucrânia desenvolve sistemas antidrones em oficina subterrânea, liderada por Andrey Kibenok, que mudou de militar a fabricante de soluções de defesa.
- Drones ganham destaque na guerra: Kh coalição usa aparelhos baratos e eficazes; Kyiv planeja enviar especialistas técnicos para apoiar a contraofensiva anti-drones.
- Empresas locais como Wild Hornets e SkyFall atuam perto do front, fabricando drones de reconhecimento, kamikazes e interceptores; o trabalho é viável por meio de financiamento próprio e doações.
- Os dispositivos fabricados no local conseguem derrubar a maioria dos drones FPV, mas são pouco eficazes contra unidades de grande envergadura como os Shahed, usados pela Rússia.
- Em brigadas próximas ao front, há um “centro de comando” com vários militares monitorando drones em tempo real; ataques russos continuam obrigando medidas de proteção e uso de equipamentos subterrâneos.
O conflito na Ucrânia aproxima o front oriental de Donetsk de uma nova linha tecnológica. Kiev intensifica o desenvolvimento e uso de drones e, ao mesmo tempo, avança na interceptação de aparelhos adversários, com laboratórios improvisados em bases próximo das linhas de frente. A operação acontece desde o início da invasão russa e se ampliou após 2022, quando o foco passou a incluir soluções de baixo custo para derrubar drones.
Andrey Kibenok, 38 anos, deixou de ser apenas soldado para conduzir um pequeno ateliê de fabricação de sistemas antidrones. Localizado no entorno de Donetsk, o espaço funciona em parte no subterrâneo de uma casa alugada. O objetivo é transformar peças simples em dispositivos capazes de interromper sinais de drones inimigos, de Shahed a aparelhos civis adaptados para ataque.
A Brigada 93 atua como polo operacional dessa iniciativa. Militares trabalham em parceria com equipes de apoio técnico, montando protótipos em estúdios modulares, com impressoras 3D e ferramentas de precisão. O grupo recebe apoio financeiro de fontes próprias de Kibenok, além de doações, para manter uma operação que envolve dezenas de peças e unidades de intercepção.
Entre as tarefas diárias, as equipes desmontam drones para entender seus sistemas de navegação, frequências de comunicação e componentes internos. Em oficinas distribuídas pela zona de Kramatorsk a Sloviansk, operam para criar soluções que derrubem drones de menor envergadura, com capacidade de interromper redes Wi-Fi, sinais de telefone e, em parte, as ligações de veículos militares.
Os laboratórios utilizam retrocompatibilidade tecnológica: peças impressas em 3D, antenas artesanais e módulos de interceptação que cabem em bagageiros de veículo. Em alguns casos, sistemas que custam dezenas de milhares de grivnas chegam a ser produzidos para abastecer várias brigadas e até mesmo postos de abastecimento na região do Donbás.
Duas frentes do esforço são destacadas: o desenvolvimento de dispositivos que neutralizam drones FPV de pequeno porte, e a experiência acumulada com interceptores para drones maiores. Especialistas estimam que cerca de 10% dos ataques aéreos utilizem drones guiados por fibra ótica, o que exige abordagens diferentes de interceptação.
Na sala de comando da Brigada 93, dezenas de telas monitoram o voo de aparelhos adversários. Em Druzkivka, uma incursão de drones russos é acompanhada em tempo real; a resposta envolve medidas de proteção para evitar danos a equipamentos, com soldados orientando posicionamento estratégico e uso de abrigo subterrâneo.
Mesmo com avanços tecnológicos, os combatentes afirmam que o fator humano continua essencial. A defesa de áreas próximas à linha de frente depende de uma combinação entre conhecimento técnico, improvisação e cooperação entre unidades. O objetivo é ampliar a capacidade de resposta sem comprometer a defesa local.
Especialistas ressaltam que o investimento em interceptação não substitui a necessidade de defesa efetiva. A Rússia mantém um volume expressivo de ataques, e Kiev busca ampliar o know-how técnico local para enfrentar o arsenal adversário, com apoio externo e cooperação regional.
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