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A história do único Van Gogh no Irã: At Eternity’s Gate

A única gravura de Van Gogh no Irã, já pertenceu ao vice-presidente dos EUA Nelson Rockefeller, permanece guardada em Teerã, em meio a conflitos e riscos

Van Gogh’s print *At Eternity’s Gate* (November 1882)
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  • A litografia de Vincent van Gogh, intitulada At Eternity’s Gate, datada de novembro de 1882, está guardada no Tehran Museum of Contemporary Art e tem o título inscrito pelo artista em inglês.
  • A peça foi dada por Van Gogh ao amigo Anton van Rappard e passou por várias coleções privadas antes de chegar a Nelson Rockefeller, então vice-presidente dos Estados Unidos.
  • Rockefeller vendeu o print a Farah Pahlavi, esposa do xá do Irã, para apoiar o Tehran Museum of Contemporary Art, que abriu em outubro de mil novecentos setenta e sete.
  • Após a revolução de mil novecentos setenta e nove, parte da coleção ficou sem exposição e o museu permaneceu em parte fechada, com tensões entre o Ocidente e o novo regime influenciando o acesso às obras.
  • Em fevereiro de mil novecentos e vinte e seis, bombardeios na região próxima ao museu causaram danos a prédios históricos em Isfahan e a Tehran, e o local permanece sob vigilância e em armazenamento seguro.

O conjunto da obra de Vincent van Gogh guardado no Tehran Museum of Contemporary Art ganhou, neste momento de tensão no Oriente Médio, novo significado simbólico. A litografia intitulada At Eternity’s Gate foi assinada pelo artista, em inglês, na própria impressão.

A peça, datada de novembro de 1882, retrata o que Van Gogh chamou de um “homem órfão” de um asilo de The Hague. Restam apenas sete exemplares da litografia, com o título gravado pelo pintor em tinta. O modelo foi Adrianus Zuyderland, então com 72 anos.

A obra foi presente de Van Gogh a Anton van Rappard, seu amigo pintor. Ao passar por coleções privadas, ficou sob circulação até ser comprada, no início dos anos 1970, por Nelson Rockefeller, então vice-presidente dos EUA, e sua esposa Mary.

Rockefeller vendeu a litografia ao negociante Eugene Thaw, que a repassou, em 1975, ao Shah of Iran, Farah Pahlavi. Ela apoiava o Teherã Museum of Contemporary Art, inaugurado em 1977. Em 1979, com a derrubada do Shah, o acervo permaneceu em grande parte em armazenamento.

Contexto e atualidade

O museu fechou imediatamente após ataques no domínio do conflito regional e, desde então, grande parte da coleção, incluindo a litografia, tem ficado sem exposição. Em Isfahan, eventos de 9 de março danificaram edifícios históricos próximos, enquanto outro ataque atingiu a área da capital Teerã.

O que ocorreu na cidade de Teerã em fevereiro, com explosões próximas à rua onde fica o museu, evidencia riscos enfrentados por museus, monuments e sítios arqueológicos do país. A preservação da litografia permanece em armazenamento seguro, conforme relatos de especialistas.

Martin Bailey, especialista em Van Gogh e correspondente da The Art Newspaper, relata que a peça representa um autorretrato indireto, pela postura de Van Gogh diante das paredes do asilo. A depressão do artista, segundo correspondência de Théophile Peyron, era tema próximo ao momento da criação.

A narrativa histórica envolve a transferência da obra entre coleções privadas, a intermediação de Rockefeller, Thaw e Farah Pahlavi, além de a peça ter sobrevivido a mudanças políticas relevantes na >Iran. Diversos volumes sobre Van Gogh citam essa e outras peças da época.

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