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África do Sul apoia tratado para triplicar a energia nuclear global até 2050

África do Sul adere ao pacto para triplicar a capacidade nuclear até 2050, destacando financiamento como principal entrave e críticas de organizações civis

Warning sign on a beach near the Koeberg nuclear power plant in Cape Town.
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  • África do Sul endossou a Declaração para triplicar a capacidade nuclear até 2050, juntando-se a mais de 33 países, durante a cúpula do clima da ONU em Dubai, em 2023.
  • O anúncio foi feito durante a Africa Energy Indaba, em março de 2026, em Cidade do Cabo, com o ministro da Eletricidade e Energia destacando o momento como significativo.
  • O ministro Kgosientsho Ramokgopa afirmou que a energia nuclear é uma necessidade estrutural para a matriz energética futura, mas ressaltou que o principal desafio é obter financiamento mais justo de credores internacionais e instituições multilaterais.
  • A matriz energética sul-africana hoje é composta por mais de oitenta por cento de carvão, cerca de dez por cento de renováveis e aproximadamente quatro por cento de nuclear, principalmente pela usina Koeberg.
  • O governo projeta adicionar 5.200 megawatts de nuclear além dos 1.800 megawatts já produzidos, mas especialistas e grupos civis levantam dúvidas sobre financiamento e apontam riscos de atrasos, inclusive por ações judiciais contra o site de Duynefontein.

A África do Sul endossou a Declaração para Triplicar a Capacidade de Energia Nuclear até 2050, assinada por 34 países, durante a cúpula do Clima da ONU em Dubai, em 2023. A decisão foi anunciada na Africa Energy Indaba, realizada em Cape Town no dia 5 de março de 2026. O objetivo é ampliar a participação da energia nuclear no mix energética do país.

Tsakane Khambane, porta-voz do Ministério da Eletricidade e Energia, afirmou por e-mail que o gesto é um marco com alcance além das fronteiras. Segundo ele, a medida reforça compromisso com segurança energética, ampliação de acesso à energia e metas climáticas do país.

Kgosientsho Ramokgopa, ministro responsável pela pasta, afirmou na mesma ocasião que a energia nuclear é uma necessidade estrutural para o futuro energético nacional. Ele ressaltou, porém, que o maior obstáculo para países africanos é o financiamento pelos credores internacionais e por instituições multilaterais.

Contexto atual

Atualmente, o carvão responde por mais de 80% da eletricidade na África do Sul, segundo dados oficiais. Recuperam espaço as fontes renováveis, com participação em torno de 10%, enquanto a energia nuclear representa cerca de 4%, majoritariamente proveniente da usina Koeberg.

O governo planeja diversificar a matriz, com expectativa de expansão significativa de renováveis e nuclear nas próximas décadas. O Integrated Resource Plan 2025 aponta metas de ampliar a capacidade nuclear para além dos patamares atuais, mantendo o PN do país.

Desafios de financiamento

Ramokgopa destacou que financiamento mais justo e estável é o maior desafio para ampliar a nuclear na região. Especialistas ouvidos dizem que a viabilidade depende de estruturas financeiras alinhadas ao desenvolvimento local.

Analista ouvido pelo jornal questiona a utilidade da expansão nuclear diante da necessidade de flexibilidade de capacidade para acompanhar a variabilidade de fontes renováveis. A crítica aponta para a importância de gerar energia que possa ser ajustada rapidamente.

Organizações da sociedade civil já ajuizaram ações contra projetos nucleares em Duynefontain, no Cabo Ocidental. A contestação envolve alegações de que o EIA foi feito com dados desatualizados e sem explorar plenamente opções como vento e solar.

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