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Quem é Darren Beattie, assessor dos EUA que foi barrado no Brasil

Assessor do Departamento de Estado dos EUA foi ligado à formulação da política para o Brasil, acumulou passagens por cargos de alto nível e controvérsias públicas

Foto: Reprodução/A Crítica

Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para a política dos Estados Unidos em relação ao Brasil, virou foco de uma crise diplomática após ter a visita a Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, barrada pelo ministro Alexandre de Moraes na quinta-feira (12) e o visto revogado pelo governo brasileiro na sexta-feira (13).  Inicialmente, […]

Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para a política dos Estados Unidos em relação ao Brasil, virou foco de uma crise diplomática após ter a visita a Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, barrada pelo ministro Alexandre de Moraes na quinta-feira (12) e o visto revogado pelo governo brasileiro na sexta-feira (13). 

Inicialmente, ele havia sido autorizado a se encontrar com o ex-presidente na próxima quarta-feira (18), das 8h às 10h, em um pedido apresentado pela defesa de Bolsonaro.

Segundo o Itamaraty, a revogação ocorreu por “omissão e falseamento de informações” sobre o motivo da viagem. 

Em um evento no Rio de Janeiro, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Beattie não poderá entrar no país enquanto não forem liberados os vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família. O assessor também pretendia participar de um evento sobre minerais críticos em São Paulo.

Beattie ocupa um posto de alto nível no Departamento de Estado e, segundo o governo dos EUA, atua atualmente como assessor sênior para a Política do Brasil. A nomeação para essa função foi feita em fevereiro de 2026. 

Antes disso, no início do segundo mandato de Trump, ele também foi levado a um cargo elevado na área de Diplomacia Pública e Assuntos Públicos, responsável por ajudar a moldar a mensagem dos EUA no exterior. 

Em agosto de 2025, quando ocupava o cargo de subsecretário do Estado para a Diplomacia e as Relações Públicas, usou o perfil oficial da função no X para dizer que Alexandre de Moraes era “o arquiteto do complexo da censura e da perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores”.

Da academia ao núcleo de Trump

Darren Beattie é cientista político, formado em matemática pela Universidade de Chicago e doutor em teoria política pela Duke University, onde defendeu tese sobre matemática e a estrutura da modernidade. 

Também foi professor de teoria política na Duke University e na Universidade de Humboldt, na Alemanha. Antes de ganhar projeção nacional na política, lecionou ciência política e filosofia política em universidades dos Estados Unidos e da Alemanha.

A entrada de Beattie no entorno de Trump ocorreu no primeiro mandato do republicano, quando passou a atuar como redator de discursos e assessor de políticas públicas na Casa Branca. 

Mais tarde, também foi nomeado para a Comissão para a Preservação do Patrimônio Americano no Exterior.

Depois de deixar o governo, seguiu vinculado ao campo conservador e fundou o Revolver News, site de direita que ganhou notoriedade por divulgar teorias conspiratórias sobre a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

No site do Departamento de Estado, Beattie é descrito como alguém voltado à promoção da liberdade de expressão como ferramenta diplomática e ao uso de conquistas culturais dos Estados Unidos nas artes, música e academia para fortalecer a segurança, a força e a prosperidade do país.

As controvérsias e o embate com o Brasil

A trajetória de Beattie também é marcada por episódios que provocaram reação pública nos Estados Unidos. Em 2018, ele foi demitido do governo Trump após a CNN revelar sua participação, em 2016, na conferência H.L. Mencken Club, evento frequentado por nacionalistas e supremacistas brancos. 

Beattie confirmou que discursou no encontro e afirmou que sua fala era uma palestra acadêmica independente intitulada “A Intelectualidade e a Direita”, dizendo que não havia dito nada de questionável.

Além desse episódio, Beattie acumulou acusações de racismo e sexismo ao longo da carreira pública. Em uma publicação de 2024, afirmou que “homens brancos competentes” deveriam estar no comando para que “as coisas funcionem”. 

Também elogiou James Watson como o “maior cientista americano vivo” e fez publicações defendendo que parlamentares negros, formuladores de políticas e grupos deveriam “aprender” o seu lugar e “se curvar ao MAGA”.

 O projeto KFile, da CNN, analisou dezenas de postagens entre quase 40 mil tweets atribuídos a Beattie e identificou ainda mensagens apagadas em que ele incentivava manifestantes do 6 de janeiro.

Ele também apagou publicações em que atacava Marco Rubio, atual secretário de Estado e seu superior no governo. Segundo a CNN, Beattie chamou Rubio de “baixo QI”, questionou se ele teria futuro na política e repetiu um boato falso sobre sua sexualidade. 

Em resposta à emissora, afirmou depois que Rubio era “100% América Primeiro” e disse ser uma honra trabalhar com ele para avançar a agenda de Trump.

No caso brasileiro, Beattie se tornou crítico frequente do governo Lula e do Judiciário, especialmente de Alexandre de Moraes. Depois que o governo Trump sancionou o ministro com a Lei Magnitsky, ele escreveu que as sanções deixavam claro que Trump levava a sério o que chamou de “complexo de censura e perseguição no Brasil”. 

Após a condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Beattie voltou a atacar Moraes nas redes sociais.

A tentativa de visita ao ex-presidente aprofundou a tensão entre Brasília e Washington. Ao comunicar o STF, o chanceler Mauro Vieira disse que o encontro de um funcionário estrangeiro com um ex-presidente brasileiro em ano eleitoral poderia configurar “indevida ingerência” nos assuntos internos do país. 

O Itamaraty também convocou o encarregado de Negócios dos EUA, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre a viagem. Segundo relatos de fontes do governo à CNN, o Planalto não acredita que a revogação do visto provocará um novo tensionamento diplomático entre Brasil e Estados Unidos.

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