- Bijan Khajehpour é economista iraniano, especialista em geopolítica e ex-prisioneiro político; cofundou a consultoria Atieh Bahar (hoje Eunepa) e atua em Viena.
- Em 2009 foi detido em Teerã e, após expressar dúvidas sobre as eleições de Ahmadineyad, foi condenado em ausência a anos de prisão; não pode retornar ao Irã.
- Aposta que a mudança no Irã precisa vir de dentro, não de fora; aponta que a relação entre Estado e sociedade se deteriorou e que o regime foi capturado por elementos radicais.
- Enxerga a guerra atual como ameaça existencial ao país, com o Irã mirando o estreito de Ormuz e buscando pressionar o mercado energético; o petróleo já passa dos 100 dólares.
- Acha que sanções e pressão externa fortalecem a linha dura; o futuro do regime depende de como durar a guerra e de possíveis reformas, não de uma “queda rápida” promovida por potências externas.
Bijan Khajehpour, economista iraniano y asesor estratégico, denuncia que quanto maior o medo do regime, maior a radicalização. Em entrevista por videoconferência, ele afirma que o objetivo final de Israel seria a desintegração do Irã em um cenário de guerra.
Khajehpour, 59 anos, nasceu em Teerã e atua como consultor de mercados de Ásia Ocidental. Formado no Reino Unido, Alemanha e França, foi cofundador da Atieh Bahar Consulting, que hoje opera sob o nome Eunepa e está sediada em Viena.
Em 2009, o economista foi detido em Teerã e preso na prisão de Evin, no pavilhão 209 controlado pela Guarda Revolucionária. Acusado de espionagem por dúvidas sobre as eleições de Ahmadineyad, ele optou pela fuga e nunca retornou ao Irã.
Contexto e trajetória
Questionado sobre seu apoio à República Islâmica, ele relembra que, nos anos 90, acreditava numa democracia islâmica. Com Ahmadinejad no poder, a repressão aumentou e ele foi condenado em presença a cinco anos de prisão, além de nova condenação em ausência.
Transformações no Irã
Ele aponta deterioração da relação entre Estado e sociedade. O país, afirma, foi capturado por elites radicais. Protestos de 2009, 2019 e 2022 expuseram corrupção e má governança, e as manifestações de 2026 teriam estado mais duras, com resposta brutal do regime.
Guerra e impactos
Khajehpour diz que muitos iranianos no exterior apoiam, em parte, ações de guerra, mas o trauma histórico alimenta expectativas de interferência externa. A visão dele é de que mudanças virão de dentro, não de ações de potências estrangeiras.
Objetivos e estratégias
Segundo ele, a Administração dos EUA errou ao esperar desestabilizar rapidamente o regime. O regime iraniano não depende de um único líder e conta com distribuição de poder político e militar, o que dificulta cenários de desmoronamento rápido.
Energia e geopolítica
Sobre o papel da energia, ele analisa que ataques a instalações iranianas podem elevar o preço do petróleo e pressionar o mercado internacional. Iniciativas de Teerã buscam aumentar o custo da ofensiva para EUA e aliados.
Futuro do regime
A possível liderança do país pode seguir linha dura ou buscar reformas. Caso contrário, a sociedade pode se levantar novamente. Ele cita a nova liderança suprema como sinal de radicalização, ainda que haja cenários alternativos.
Opiniões sobre mediação externa
Analistas destacam que a política de pressão externa tende a endurecer o regime. Khajehpour reforça que o diálogo internacional deveria evitar ataques que agravam o endurecimento interno e prejudiquem a população.
Conclusões provisórias
Khajehpour avalia que a guerra não trará melhora futura para o Irã. O futuro depende de durabilidade do conflito, das reações internas e do equilíbrio regional. Ele afirma que não enxerga melhoria democrática no curto prazo.
Entre na conversa da comunidade